INCLUSÃO TEM TUDO A VER COM MUDANÇA!

(Inclusion: it´s about change! )

Extraído de texto de autoria de dois grandes defensores da educação inclusiva e do conceito de inclusão: MARSHA FOREST e JACK PEARPOINT do Canadá, recebido de Marta Almeida Gil, São Paulo

Retraduzido do inglês por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais) , Rebates, SP , Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International, em 11 de agosto, 2008

Tivemos um primeiro contato com o trabalho de Marsha Forest e Jack Pierpoint, pesquisadores canadenses da inclusão, há alguns anos quando fazíamos parte da APAE de S.Paulo, de cuja organização fomos uma das fundadoras, juntamente com o marido e um grupo de pais de crianças pequenas com deficiência intelectual. Achamos logo o texto ótimo, fizemos a respectiva tradução mas, como acontece com tanta coisa boa, o acúmulo constante de trabalho fez com que perdêssemos a tradução. Vamos refazê-la, diz-se com sabedoria que devemos estimular e reestimular o cérebro diariamente como forma de nos mantermos realmente vivos e não simplesmente respirando como outros seres.

É acerca de mudanças! Inclusão significa mudança. Acreditamos que tanto a inclusão como a mudança são inevitáveis. Se escolhemos crescer com, e através dessas mudanças, é uma escolha nossa. Tem sido esclarecedor termos participado de centenas de reuniões emocionais acerca de “inclusão”, quando é claro como o cristal depois de apenas alguns minutos que inclusão é somente, nominalmente, o tópico. O tópico verdadeiro (raramente declarado) é Medo de Mudança! Muitas pessoas em serviços de educação e serviços humanos têm medo de perder o emprego. Têm medo de responsabilidades novas. Têm medo do que não compreendem. Têm medo de ser responsabilizados. As palavras que dizem são: “ Mas nós não temos dinheiro suficiente! Mas não recebemos treinamento para cuidar daqueles! Mas não escolhi educação especial!Mas não tenho conhecimento de currículo especial e não tenho tempo de criar um programa especial para “eles”. As outras crianças vão sofrer! Todos reconhecemos essas frases. Escute mais atentamente. A maioria dos “se “ são acerca de “mim.” “eu”. As dúvidas relativas a dificuldades para as outras crianças refletem tanto a ignorância de virtualmente tudo o que sabemos ( durante séculos) sobre aprendizado cooperativo e ensino dado pelos coleguinhas e muito frequentemente são um disfarce para esconder: “ Não quero me arriscar a perder o controle.” “Tenho medo de que as pessoas possam ficar sabendo que não conheço tudo! Não quero fazer isto. “Tenho Medo! Esta é a frase chave debaixo de toda a resistência e lamúria. Porém, para muitos existem medos mais profundos que precisam vir à superfície com grande delicadeza. As pessoas têm medo de terem de “ficar face a face” com sua própria mortalidade, com imperfeição. As pessoas têm medo de “pegar isso.” Esses medos, profundamente arraigados, são produto de nossa cultura.Não é culpa de pessoas ( professores e trabalhadores em serviços humanos) que estejam com medo. Todos fomos ensinados a “colocá-los longe de nossa vista” e como cidadãos e contribuintes da Receita fizemos isso mesmo.Porém, agora sabemos que “ colocar pessoas longe de nós” é uma decisão que fica a um só passo do extermínio. O filme “A Lista de Schindler” nos lembra de que a segregação em qualquer guetto é uma ameaça à vida. A resposta é que devemos Enfrentar o Medo e Fazer Isso Mesmo, isto é, incluir todo mundo. Isso será desconfortável – até mesmo aterrador durante alguns momentos, mas medos passam. Quando enfrentamos nossos medos e vamos para a frente apesar deles, eles imediatamente diminuem e entram na perspectiva. Mantivemos conversas com centenas de “ Sobreviventes da Inclusão” – professores e trabalhadores em serviços humanos que estavam petrificados. Agüentaram algumas semanas de “Terapia do Tylenol” e aí, como se fosse por um passe de mágica, o terror passou. Ao entrevistar pessoas acerca daquele período, existe um padrão avassalador. Cada pessoa isoladamente lembra ter estado aterrorizada. Ninguém podia lembrar do que tinham medo, só de que tinham medo – e isso passou. Isso geralmente leva seis semanas, que é o padrão geral para que qualquer situação de crise retorne ao normal. Existem lições que se pode aprender. Com muita freqüência dizemos às pessoas que têm de enfrentar mudanças: “Não se preocupe. Não tenha medo!”. Isto é bobagem! Inclusão é acerca de mudança. Mudança é coisa aterradora – para todos nós. Nossos corpos são desenhados para buscar “homeostasis” – equilíbrio. Mudanças nos afligem. Isso mete medo. Isso é imprevisível. Mas uma vez que a questão é uma questão de sobrevivência – acerca dos Direitos Humanos de pessoas – temos de fazê-lo de qualquer maneira. Não temos o direito de excluir ninguém. Nossos medos são simplesmente um obstáculo a ser superado.Eles não podem e não devem ser uma razão para negar a qualquer pessoa seus direitos. Um segundo aprendizado é que as pessoas necessitam apoio para atravessar o período de mudança da crise. Os fatos fascinantes são, não obstante, que isto tem muito pouco a ver com orçamentos. O ingrediente chave no apoio efetivo à mudança são relacionamentos apoiadores. O de que precisamos é “praticar bondade indefinidamente e de atos de beleza desprovidos de sentido “ – uma palavra amável – um gesto de apoio e compreensão. É saber que alguém estará lá quando você precisar dela. Recentemente, a Federação de Professores dos Estados Unidos lançou um ataque sobre a inclusão – um assalto trágico e desorientado. Eles identificaram o apoio como sendo essencial para conseguir inclusão efetiva e acham práticas de “(dumping)” isto é, colocar coisas de lado e esquecer delas como inaceitáveis. Concordamos inteiramente. Porém o inimigo da falta de apoio nas escolas, no treinamento e ainda além não são crianças inocentes ou a questão da inclusão. Os vilões são os formuladores de políticas que não têm rosto que continuam a golpear as estruturas de apoio que tornam possível e encorajam professores e outras pessoas a dar o passo a mais que precisa ser dado. Se alguns educadores não conseguem aceitar que todo mundo deva ser incluído, pode ser que tenha chegado a hora deles procurarem outros empregos. É completamente legítimo que se forneça segurança no emprego – mas não segurança contra mudança. Pessoas que não podem apoiar direitos para todos têm o direito de ter suas próprias opiniões mas não o direito de impedir os direitos de outros cidadãos. Concluímos que a Inclusão e pura e simplesmente acerca de MUDANÇA. É assustador – e excitante. As recompensas são muitas.

Será e é mesmo difícil e frequentemente trabalho emocional desgastante. Erik Olesen em seu livro “ 12 Passos para Dominar os Ventos da Mudança “ diz, “ os medíocres resistem à mudança, os bem sucedidos a abraçam.”Devemos que a inclusão seja um sucesso e assim abraçar a mudança com nossos corações e nossas almas. Devemos construir equipes fortes que apóiem uma à outra. Devemos parar de desperdiçar nosso tempo preocupando- nos acerca das “crianças” quando o que precisamos desenvolver são equipes de desenho criativo que enfrentem cada problema com o mesmo espírito encontrado no setor corporativo.

Vamos tomar emprestadas as frases de pessoas que vendem hamburgers, sapatos de corrida e quartos de hotel – seus slogans: FAÇA o que é preciso! SIMPLESMENTE FAÇA!e SIM, PODEMOS! Essas são mensagens que podemos adotar para nosso próprio trabalho! Finalmente, gostamos de recordar que “ Um mal feito a alguém é um mal feito a todos!” e no caso da inclusão, “ O benefício feito a um será o benefício de todos!”