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Licões de irmãos e irmãs

*O QUE SEUS OUTROS FILHOS, SEM A SD, ESTÃO PENSANDO: LIÇÕES DE IRMÃOS E
IRMÃS*

Apresentado por Susan Levine e Brian Skotko
Tradução: Luciene Codeço Coelho

Esta apresentação começou com Susan e Brian pedindo à platéia para fazerem uma lista de palavras sobre “nossas” experiências com “nossos” irmãos. Eu e a maioria das outras pessoas, ficamos chocados pois, a lista se mostrava 80/90% negativa. Brian e Susan apontaram o fato de que esta era a resposta de todos os grupos e, se nós, que temos irmãos “típicos”, temos estas emoções negativas sobre eles, não deveríamos ficar surpresos ou incomodados, se nossas crianças se expressarem negativamente sobre seus irmãos com SD; é parcela da experiência entre irmãos.

Dito isto, pesquisas afirmam que irmãos de crianças com SD, na realidade, têm MAIS experiências positivas do que irmãos que não têm um membro da família com SD. Os irmãos de pessoas com necessidades especiais, crescem mais compassivos, atenciosos e, frequentemente, ingressam em carreiras “humanas”.
Brian tem algumas histórias pessoais, como quando aprendeu a fazer as tranças no cabelo de sua irmã quando ainda na escola. Sua irmã Kristen, ficava contrariada quando o seu “rabo de cavalo” desmanchava e seu cabelo entrava em seus olhos e, ao invés de sair da piscina e pedir a sua mãe para refazê-lo, ela pedia a Brian, que a esta altura da vida, não ficava nada lisonjeado tendo que arrumar o cabelo da irmã na frente dos amigos.
Ele, então, chegou à conclusão de que se ele fizesse as tranças antes da piscina, eliminaria o problema de desmanchar e, disse, no final das férias, que ele não conhecia, no mundo, quem fizesse melhor trança do que ele. Ele se referiu também a alguns duros momentos, ao passar por experiências negativas com sua irmã embora ele soubesse que as teria. Brian as chamava de “amnésia seletiva” e disse que se lembra de todas as coisas boas.
Uma outra história que ele relatou foi sobre o amor de sua irmã pela música e como suas vidas eram medidas pelas tendências musicais correntes…Barney, Sounds of Music… e como sua irmã queria ouvi-las repetidamente… (minha família fala disso também… por um longo tempo nós declaramos que o nosso carro era a `Zona Livre do High School Musical`).
Brian continuou, dizendo-nos para levarmos a sério as declarações dos irmãos e, não só ouvir, mas também admitir quando alguma coisa incomoda voce também. “Sim… se eu ouvir `Fabulous`, mais uma vez, vou GRITAR” e tentar fazer com que os irmãos achem uma solução.
Colocaram uma TV no andar de baixo para Kristen colocar suas músicas longe dos ouvidos da família. Exemplos de ansiosos questionamentos de irmãos que buscam respostas, foram relatados e foi compilada uma lista de respostas dos irmãos quando perguntados sobre o que gostariam de falar aos pais: (Criando seus outros Filhos – Sue Levine e Brian Skotko)
1. Sejam abertos e honestos, informando sobre a SD o mais cedo possível. Encorajem os outros filhos a fazerem perguntas; respondam-nas, levando em consideração o nível de compreensão deles, o mais honestamente possível.
2. Permitam que irmãos e irmãs expressem seus sentimentos negativos. Reconheça o fato de que, algumas vezes, é difícil ser irmão ou irmã de alguém com alguma deficiência. (“Quando eu tiver dificuldades, deixem-me conversar com voces sobre o assunto”).
3. Reconheçam os momentos difíceis que irmãos e irmãs estejam experimentando. À medida em que crescem, geralmente começam a compreender que nem todos na sociedade compartilham os mesmos valores e crenças.
4. Limitem as responsabilidades exigidas. Crianças precisam ser crianças. Permitam-lhes ser irmãos e irmãs mais do que pai e mãe. Seus filhos com necessidades se beneficiam por ter irmãos, mais do que ter uma família cheia de pais.
5. Reconheçam a individualidade e o ser único de cada criança na família. Digam a seus filhos o que os torna especiais; eles querem saber o que é notado por vocês. Celebrem seus feitos e programem horários especiais com cada um de seus filhos.
6. Sejam justos. Ouçam os dois lados da história e estejam seguros de que cada criança tenha responsabilidade ao nível de sua habilidade. (“Não me culpem por ser a mais velha”).
7. Façam uso de “ajudas” para aprender a lidar com grupo de irmãos. Existem profissionais desta área que podem ser contactados.
8. Encorajem pais a procurar ajuda profissional quando necessitarem ficando, assim, mais capazes para trilhar a jornada.
Nota pessoal: Perguntei sobre o fato de meus filhos (tenho 7) não terem interesse em se reunir com outros irmãos ou frequentar qualquer espécie de atividade destinada ao “apoio” a SD. Sue me fez ver, depois de uma conversa, que lhe parecia que minha família “é” um grupo de auto-ajuda que se apoia uns nos outros e fala abertamente sobre seus assuntos e frustrações.
Felizmente perguntei, pois aquela falta de interesse me preocupou. Eles, simplesmente, não se interessam por frequentar nenhum tipo de recreação especial. Eles não sentem necessidade de “ajuda” fora da família.

Publicado no Tópicos em Autismo e Inclusão
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