(Dados extraídos de trabalho de Pilar Rodriguez Rodriguez, Diretora Geral de programas de atenção a idosos do principado de Astúrias, Espanha, Presidente de Congresso recente na Espanha (Oviedo 28, 29, 30 e novembro e 1 de dezembro)

traduzido do espanhol e digitado em S.Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiência Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais) , Sorri Brasil, SP, Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International, em 18 de julho, 2008

Temos estado observando com interesse, e com sensibilidade, a evolução do tema ‘ENVELHECIMENTO E DEFICIÊNCIA” como assuntos que merecem muito maior atenção que a que lhes foi atribuída até hoje. Em parte, a explosão populacional de pessoas mais velhas têm pegado o Brasil um pouco de surpresa porque vivemos uma sociedade voltada para o culto à juventude, à beleza, à perfeição da forma física, e os sinais de envelhecimento de cada pessoa são encarados com muito medo, medo não só de envelhecer mas de ter os percalços que a velhice traz a todos.

Por esse motivo, com o grande interesse que reina em São Paulo, onde há, presentemente, diversos grupos de estudo, lemos com atenção o trabalho da gerontóloga espanhola Pilar Rodriguez Rodriguez que dirigiu em Oviedo, Espanha, em 28 a 30 de novembro e l de dezembro)Congresso Internacional sobre

O ENVELHECIMENTO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

O BINÔMIO DEFICIÊNCIA-ENVELHECIMENTO COMO FENÔMENO EMERGENTE

O trecho inicial tem o título> JUSTIFICATIVA

Vamos a ele:

“Quando se fala nos âmbitos científicos e institucionais de deficiência, este termo é imediatamente relacionado a outros como: prevenção, atenção precoce, integração educativa, laboral, acessibilidade, reabilitação, etc. Todos os âmbitos de investigação, ou intervenção, evocam em relação a seus destinatários a figura de pessoas que têm necessidades especiais durante a infância, na juventude ou na vida adulta. Muito poucas vezes deficiência é relacionada a envelhecimento.

Sem dúvida esta insuficiência se explica porque, até faz muito poucos anos, a esperança de vida das pessoas afetadas por deficiências era bem inferior à média da população geral. Em outras palavras, não costumavam chegar à velhice. Porém os avanços e inovações registrados nas ciências da saúde, o desenvolvimento de mais apoios e recursos, a maior acessibilidade para a integração social e a melhora, afinal, das condições de vida, originaram o aumento progressivo das pessoas com deficiências que chegam a alcançar idades avançadas, e que, como conseqüência, apresentam um conjunto de necessidades novas que modificam sua situação anterior, acrescentando complexidades e mudanças advindas de seu processo de envelhecimento.

Encontramo-nos, pois, frente a uma realidade nova que constitui uma emergência silenciosa, como foi denominado pelo Comitê de Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência do Conselho da Europa.

O envelhecimento demográfico, fenômenos positivo em si mesmo , porque vivemos cada vez mais anos, todavia, traz grandes desafios à sociedade moderna. Estes desafios estão tentando ser respondidos em países diferentes, e através de organismos internacionais. A convocação das Nações Unidas para que fosse celebrada em Madri a II Assembléia Mundial do Envelhecimento (abril, 2002) está promovendo no mundo inteiro uma série de iniciativas em todos os países para que seja feita a adaptação à enorme transformação social que está provocando o fenômeno do envelhecimento, que transcende muito o que seja o âmbito das políticas sociais, por ser ele tão importante.

Porém, circunscrevendo- nos ao marco dessas iniciativas, podemos garantir que, no caso das pessoas com deficiências, estamos diante de uma nova necessidade social que pode chegar a converter-se num problema de difícil solução, sobretudo porque, em razão de sua novidade, não se tem conhecimento suficiente sobre aqueles programas, recursos e serviços que possam ser mais adequados para dar a resposta devida às necessidades que pessoas com deficiência têm na medida em que envelhecem.

Não temos somente que pensar de, outro lado, nas próprias pessoas afetadas por deficiências. Suas famílias que, durante toda a vida, foram seu sustentáculo e seu apoio, também envelhecem. A incerteza sobre o futuro dos filhos e filhas,as famílias não puderem continuar atendendo-as ou quando desapareçam, atua como fator grandemente estressante que acrescenta um ingrediente negativo ao próprio processo de envelhecimento.

Finalmente, não é de pouca importância nos referirmos ao tradicional “desencontro” entre os diferentes agentes e atores que trabalham no âmbito da gerontologia ou no da deficiência, bem como nos serviços sociais e de assistência à saúde. Atuando em marcos separados, existe grande desconhecimento tanto teórico como prático dos desenvolvimentos produzidos em ambos. Assim, tanto os paradigmas da intervenção como a própria terminologia que foram sendo acrescentados ao comum evoluíram de maneira diversa. Portanto, é bom que vá se produzindo uma aproximação entre profissionais, pesquisadores, instituições e entidades do tecido social para se conseguir chegar a um enriquecimento mútuo. Os progressos importantes que a gerontologia e a geriatria podem trazer nos aspectos sócio-assistenciais ao mundo da deficiência são muitos. Boa parte dos progressos conseguidos no âmbito da deficiência em matérias como acessibilidade integral, a normalização e a vida autônoma podem ser aproveitados também no campo de atuação da gerontologia. O mesmo cabe dizer da tão reclamada coordenação sócio-sanitária. As necessidades de prevenção, atenção e reabilitação de caráter sanitário de que pessoas com deficiências necessitam, têm de ser satisfeitas pelos serviços de saúde sem discriminação alguma em relação ao restante dos cidadãos, e com independência do lugar em que morem, seja em seu próprio domicílio ou num alojamento que dependa dos serviços sociais.

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Pessoal, vamos refletir bastante sobre estas observações iniciais sobre serviços para pessoas idosas com deficiências e seu entrelaçamento com recursos e equipamentos sociais que devem ser utilizados sem discriminação alguma.

Ou isso será uma utopia?

Maria Amélia

traduzido do espanhol e digitado em S.Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações da Área das Deficiências, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais) e outras parcerias em 18 de julho, 2008.


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