Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: sintoma escolar e sintoma analítico, por Patrícia Pinheiro Nunes Pita. Universidade de Brasília.

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RESUMO/ABSTRACT

Pelo menos desde a década de 90 do século passado o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vem se confirmando como um dos diagnósticos psiquiátricos mais comuns entre crianças escolares. Muitos casos assim diagnosticados são encaminhados, inclusive pela escola, à clínica psicanalítica, que os tem tratado para além da fenomenologia psiquiátrica. Mas seria possível partir de outro referencial para se tratar e escolarizar crianças com esse transtorno? Eis o pressuposto desta dissertação de mestrado, construída na interface psicanálise-educação, cujo objetivo é estudar o TDAH a partir do ensino de Freud e Lacan, sem desconsiderar, tampouco destituir a nosografia deste sintoma, nem todas as questões cognitivas e neuropsicológicas que o circulam. As hipóteses gerais sobre o TDAH são formuladas em dois campos: como um sintoma escolar e como um sintoma analítico. Enquanto um sintoma escolar, o TDAH é proposto como um sintoma da escola e não da criança. A razão desta proposição devese ao fato de que a escola, também para atender à proposta inclusiva, fundamenta sua prática psicopedagógica na visão médica, concentrando-se assim na patologização e reeducação do sintoma. Como um sintoma analítico, é visto como um sintoma da criança, com todas as suas vicissitudes para a psicanálise. Neste sentido, surge como hipótese específica desta dissertação a idéia de que o sintoma em TDAH está mais próximo do sintoma-metáfora da neurose, porque é compreendido como um apelo da criança ao Nome-do-Pai, para tirá-la do lugar da causa de desejo na fantasia materna. Como suporte deste postulado apresenta-se o resumo do Caso Nizan, no qual houve espaço para uma interlocução com a escola.