Imagem: Porvir

Reunir um grande número de jovens em uma comunidade, exercitar os olhos para que eles identifiquem só as coisas boas que cada um dos moradores pode oferecer para, em poucos dias, construir algo que seja um sonho comum, como um parque, uma praça ou uma ponte. Mas nem tudo fica só no concreto. O objetivo da parceria entre a Aiesec – plataforma internacional que visa o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens do mundo inteiro por meio de programas de liderança – e o Instituto Elos é fazer com que as comunidades reconheçam seu potencial e que esses jovens aprendam na prática a resolver problemas em conjunto.

“Nosso objetivo não é fazer doação, dar nada para ninguém. É construir esse senso de que a comunidade é capaz de realizar seus próprios sonhos”, explica Paulo Farine, membro do Instituto Elos. Para isso, os dois institutos se uniram com a ideia de fazer com que esses membros da Aiesec, realizem e se apropriem do Oasis – espécie de jogo criado pelo Instituto Elos, cuja metodologia é engajar pessoas para a construção colaborativa nas comunidades.

Para Farine, uma das maiores conquistas não está propriamente nas construções, mas sim no aprendizado construído durante esses dias e, principalmente, no fato de a comunidade tomar posse daquilo que construiu. “Ela sente que é dela, que não foi ninguém que fez. A identidade de todos está ali, eles desenharam e colocaram as próprias personalidades no projeto. Por isso, eles vão ter mais cuidado e vão ajudar na manutenção.”

Para acontecer, a iniciativa tem até o dia 15 deste mês para arrecadar fundos no Catarse. O dinheiro não vai ser usado para a construção de nada, mas sim para trazer 20 jovens da Aiesec para São Paulo, onde vão participar de um curso intensivo de capacitação para a realização jogo. Nesse curso, eles vão vivenciar o aprendizado em uma comunidade local, onde realizarão desde o primeiro contato até a construção final. Vencida essa etapa, eles vão voltar para suas cidades para recepcionar seu novo time de 10 jovens estrangeiros com a mesma missão: capacitá-los para que eles sejam líderes e repliquem o programa em seus países.

E como a meta dessa turma é botar a mão na massa, todos os grupos (de brasileiros e estrangeiros) vão passar pelas sete etapas práticas do Oasis, que são

1 – Etapa do olhar – Os participantes vão observar todos os potenciais da comunidade e suas belezas para identificar como cada um desses aspectos pode fazer a diferença.
2 – Etapa do afeto – Depois da observação, chega a hora de se aproximar das pessoas responsáveis pela criação daquilo que foi observado para criar um vínculo de amizade e confiança.
3 – Etapa do sonho – Ouvir pessoas de todas as idades para entender qual o sonho que eles têm em comum.
4 – Etapa do cuidado – Cuidar do sonho, entender quais são as estratégias para realizá-lo naquele momento (a vontade de fazer “já” é fundamental).
5 – Etapa do milagre – Hora de botar a mão na massa e construir, o mais rápido possível, aquilo que foi planejado.
6 – Etapa da celebração – Depois de tudo concluído, é hora de fazer festa e comemorar a realização (sempre de forma colaborativa, cada um oferece aquilo que tem).
7 – Etapa da reevolução – Como a roda não pode parar, é hora de discutir e entender quais os próximos projetos que precisam ser executados.

Além de levar aos moradores essa percepção da capacidade que têm de realizar as coisas, independentemente de parcerias ou do poder público, a comunidade cria uma noção de empreendedorismo que muda suas posturas. “Eles não vão mais procurar parceiros pedindo ajuda, eles vão oferecer a oportunidade de outras pessoas se juntarem nesse novo empreendimento. A comunidade passa a ter a real noção do poder que tem”, diz Farine.

Fonte: Porvir