Alunos "sinalizando".

A educação de surdos no mundo e no Brasil passou por um processo bastante expiatório do ponto de vista de que a mesma era detida em mãos alheias à própria Educação, ou seja, médicos em sua maioria tomavam para si em caráter de pesquisa, com intuito real de banir a surdez, fato que não teve êxito visto que a Língua de Sinais, (língua natural da Comunidade Surda) ganhou espaço e se fixou como língua (como de fato é, apresentando todas as características necessárias para ter tal status).

A Educação Inclusiva para surdos tem sido pauta de vários debates pelo Brasil, onde uma das questões mais mencionadas está diretamente ligada à qualidade de ensino que os surdos terão, visto que o contingente profissional envolvido com a causa é ínfimo, e que infelizmente os que sentem afinidade ainda trabalham usando o Português Sinalizado.

A Educação Inclusiva tem sim seus aspectos válidos e benéficos como também aponta seus aspectos negativos, pois estamos tratando de línguas distintas e que convivem em um mesmo ambiente simultaneamente.

Podemos destacar pontos positivos tais como: • A Lei 9394/96 defende que a educação é para todos, sendo assim o surdo é ser humano e precisa receber educação de qualidade, de acordo com suas especificidades;

• O surdo pode e deve estar inserido numa escola que não seja destinada apenas para surdos, precisa manter contato com o mundo ouvinte (já que a maioria das pessoas o são e isto é inevitável e inegável que aconteça), porém no ambiente escolar a interação entre ouvinte e surdos se dá de maneira informal e principalmente quando crianças, pois os pequeninos não têm incrustados na mente o preconceito, fazendo com o surdo (desde já trabalhado nesta perspectiva) se aceite como surdo e sinta na prática que a interação entre ambos (surdos e ouvistes) pode acontecer, interações estas que não serão apenas no momento ensino-aprendizagem, mas no ato de brincar e se sentir aceita;

• A educação inclusiva também é válida, para apontar à comunidade escolar o quanto a mesma se encontra alheia às especificidades humanas, fazendo com que muitos profissionais se sensibilizem e busquem conhecimentos a respeito de tais e possa receber melhor seus alunos, sendo que esta ação se estende para fora do muro das escolas atingindo a sociedade, pois os alunos perceberão também o quanto é importante respeitar e se inteirar, propondo assim uma realidade cabível e aceitável dentro da perspectiva da Educação Inclusiva.

Porém sabemos que estamos falando de profissionais que viveram na época da Comunicação Total, atualmente na Era da Tecnologia, dos preconceitos generalizados, e o quanto é complexo trabalhar especificidades, assim apresento os pontos negativos da Educação Inclusiva: • Quantitativo que profissionais (professores) que abraçam a causa, estudam e se inteiram é ínfimo como já citado anteriormente;

• Pessoa que se dizem intérpretes, com formação mínima, pouco contato com a Comunidade Surda, e uso frequente de Português sinalizado;

• Resistência da direção da escola em aceitar o Intérprete como profissional, e que precisa estar informado a respeito da dinâmica da escola;

• Resistência por parte da família, escola e sociedade em reconhecer o surdo como sujeito de direito e protagonista de sua vida, que pode optar e opinar em todas as ocasiões e que pode sim aprender o que lhes é proposto, (porém se faz necessário que lhes dê condições);

• Falta material adequado para trabalhar, como infográfico, mapas, ou seja, que utilizem bastante imagens.

• A proposta Pedagógica traz questões genéricas que todos comentam, mas não conhecem a fundo, ou mesmo o plano de aula que não é voltado para os surdos, mas apenas para os ouvintes.

Vemos que não tão fácil, (contudo em séculos passados já foi pior), precisamos nos posicionar diante de tais argumentos e de outros mais e refletir sobre como a Escola Inclusiva tem sido concebida no meio social para que possamos de fato garantir uma educação de qualidade para as pessoas surdas.

A Educação Bilíngue surgiu em contra versão ao Oralismo e a Comunicação Total e é a que mais atende as peculiaridades da surdez sendo seus pontos positivos: • Comunicação: torna-se mais fácil compreender e se fazer compreendido, tanto pela família como pela sociedade em geral;

• Cultural: os surdos bilíngues têm acesso a duas culturas diferentes;

• Conhecimento: quanto mais conhecimento, mais desenvolvido será o raciocínio de uma criança bilíngue;

• Oportunidade de trabalho: pessoas bilíngues têm mais chances de conseguirem um bom emprego.

O Bilinguismo não robotiza o surdo, não o obriga a ser o que não é ou não deseja e reconhece que é nas diferenças que somos todos iguais.

Os pontos negativos com relação ao Bilinguismo não estão na pessoa surda, mas na pessoa ouvinte, entretanto são poucos com relação as outras duas abordagens (Oralismo e Comunicação Total):

• Poucos profissionais ouvintes intérprete de Libras atuando;

• Poucos professores instrutores atuando.

Contudo e tais aspectos negativos podem deixar de sê-los, desde que haja sensibilização e interesse pela surdez da sociedade como um todo.

A Educação Inclusiva é valida (como também uma escola para surdos, para que possam aprofundar seus conhecimentos linguísticos concernentes à Libras, escola esta que não seja prioritariamente fora da instituição regular de ensino, caso seja possível), como também o Bilinguismo que já mostrou que é atualmente a maneira mais eficaz e correta de conceber o surdo na sociedade.

Referência Bibliográfica Brasil. Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996

Disponível em: http://br.guiainfantil.com/bilinguismo/104-vantagens-do-bilinguismo-na-infancia-.html. Acesso em 24 de Setembro de 2012

Fonte: Portal Educação