Mapa do Brasil feito com pinos, com pinos soltos em volta do mapa

Por Cleber Araujo *
no Viva Favela

A cada edição dos jogos olímpicos, que acontece apenas de quatro em quatro anos, os atletas em nosso país são lembrados e aparecem na mídia como possíveis heróis olímpicos, caso conquistem uma medalha.

Se levarmos em consideração os investimentos políticos no esporte, todo atleta classificado para disputar os jogos olímpicos é um herói. Fato que valoriza e muito as 17 medalhas (3 ouro, 5 prata e 9 bronze) conquistadas pelo Brasil nessa edição dos jogos olímpicos realizada em Londres.

Mas não podemos nos limitar a analisar o rendimento da Delegação Olímpica Brasileira apenas por esse aspecto. É preciso levar em consideração a posição econômica mundial ocupada pelo Brasil, que hoje, figura entre as maiores potências do mundo. A 22ª colocação ocupada pelo Brasil no quadro de medalhas não corresponde a posição econômica do país que, atualmente, é o sexto no ranking mundial.

Na disputa econômica mundial, o Brasil supera países como Reino Unido (7º), Itália (8º) e Rússia (9º), respectivamente apresentados nessa ordem no ranking econômico. Mas no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos, esses países obtiveram resultados absurdamente superiores a Delegação Brasileira.

Na verdade, essa discrepância de posições é reflexo da desigualdade social e da falta de políticas públicas no nosso país. É reflexo do crescimento econômico dos megaempresários, mas não da sociedade brasileira — que carece de novos paradigmas políticos para que aconteça o verdadeiro crescimento social. É reflexo, sobretudo, da falta de investimentos políticos nos setores da educação, saúde, esporte, cultura e lazer.

No dia em que os nossos representantes políticos se conscientizarem que na educação está a solução para muitos problemas sociais e que a prática esportiva precisa ser vivenciada nas escolas como uma disciplina curricular — não apenas com o intuito de formar atletas para disputas internacionais, mas como um recurso socioeducativo na formação de cidadãos — quem sabe veremos a nossa delegação esportiva conquistando um número maior de medalhas e o Brasil superando recordes que não seja o da violência e nem o da marginalização.

*Cleber Araujo é jornalista e morador da Favela da Rocinha http://barracoadentro.com

Fonte: Viva Favela