Imagem aérea do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro

Por Valeria Barbosa
no Viva Favela

Dia 20/06/2012, indo para a Rio+20.

3 horas dentro do coletivo levou-me a reflexões.

Quem está em casa, está bem + informado do que aqueles que se dirigiram hoje pela manhã para o Rio Centro, bastava apenas ligar a televisão.

O esquema de desenrolo do trânsito deveria ser inspiração para ser utilizado nas encostas dos morros. Funciona para reter o povo.

Copos descartáveis em alguns espaços, banheiros entupidos e pessoas que ainda ousam jogar papel no vaso sanitário.

Na saída muito caminhar. Eos ônibus por onde trafegam? Vale embarcar em qualquer um para sair do lugar.

E o quebra cabeça dos conceitos em relação à sustentabilidade vai se descobrindo adolescente. Em alguns momentos a plenária acredita que a sociedade civil tem muito a fazer e cobrar das autoridades.

Dou uma sugestão:

Deveriam chamar um morador da favela que sobrevive com uma família de mais de 6 pessoas com apenas um salário mínimo.

Ele(a) diria:

. Ando muito para apanhar água moço cada gota vale ouro.

. Aproveito tudo do alimento moço, o pé da galinha é uma gostosura e as sobras dos pratos o Dindim lambe até o fim. Dentro da vazilha dele é claro!

. Roupa e sapato, não sabe moço? Vai passando de filho pra filho, fica conservado e a gente dá pro vizinho quando os meninos estão grandinhos. . Por falar em vizinho moço, quando ele faz uma novidade trás um pouco pros moleques e eu faço o mesmo com os dele.

. A casa é pequena e não precisa de tanta luz acesa, na verdade a laje não é minha, não tenho terras, tenho a minha casa.

. Pois é seu economista, o que tenho mais que fazer além de sobreviver? Não é na favela que estão se esvaindo as águas, e sim nos banheiros dos shoppings.

. Tenho visto tantas construções se levantando, os micos correndo de um lado para o outro, estão fazendo teto solar nestes prédios seu moço? Irão aproveitar a água da chuva para irrigar o paisagismo? . Cobram das crianças conscientização, ensino os meus meninos seu moço, mas como ensinar ao patrão?

. Mas acho importante seu moço este encontro mundial, as diferenças se harmonizam e todos falam bem do mal.

. O mal da terra maior é a falta de compreensão da força que tem o vento, da energia dos raios de sol, do aproveitamento do espaço para plantar o de comer, olha naquele canto seu moço o meu pé de couve, e mais ali perto do pé da menina tem um vaso com ervas que curam qualquer dor. Eu não posso esquecer que dor de barriga seu moço tem goiaba e ela é melhor que um doutor.

. Desculpe a grande prosa, mas foi o senhor quem pediu, é melhor perguntar a receita para este caos para aqueles que chegaram primeiro neste país. Eles com certeza deram pra terra um presente, os índios sabem a resposta. . Vi na televisão o povo da conferencia cada um com o seu computador, que daqui a algum tempos será lixo, o mal de hoje é este! Muita inteligência, muita fartura e muita gente querendo tudo o de melhor, o melhor de hoje é o entulho do futuro.

Sugiro para estes eventos seu moço que comprem umas canecas de plásticos e já na entrada deste povo sejam dadas como brinde, e nada seja colocado em outro recipiente que não seja estas canecas. O povo irá selecionar o que bebe e as lixeiras ficarão livre dos copos descartáveis de plásticos e ou papéis. Já é uma ação para um lugar onde vários povos falam sobre sustentabilidade.

É, para sustentar o planeta tem que ter muita habilidade para viver, e eu seu moço… .

Seu moço preciso trabalhar…

Fonte: Viva Favela