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Dois espetáculos teatrais gratuitos – e com acessibilidade – serão o destaque da primeira edição da Mostra de Teatro Acessível, evento que a ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão realiza nos dias 2 e 3 de maio, no teatro do Oi Futuro do Flamengo. Além das apresentações, a mostra contará com uma oficina de teatro acessível e com uma mesa redonda para debater o tema acessibilidade na cultura. O evento, patrocinado pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, garantirá a participação de pessoas com deficiência, como previsto em lei, por meio de legenda eletrônica, intérprete de Libras, programas em braile e em letra ampliada, audiodescrição, visitas guiadas ao cenário dos espetáculos, além de atendimento prioritário, também para pessoas com mobilidade reduzida. A I Mostra de Teatro Acessível marca as comemorações pelos 10 anos de atuação da Escola de Gente, que serão celebrados com um coquetel ao final do primeiro dia do evento.

A programação terá início com uma oficina de teatro acessível para 40 artistas pré-selecionados, ministrada pelo grupo Os Inclusos e Os Sisos – Teatro de Mobilização pela Diversidade, da Escola de Gente, finalista no Prêmio Faz Diferença do jornal O Globo na categoria Megazine em 2010. O grupo surgiu a partir da iniciativa de jovens estudantes de Artes Cênicas, entre eles a atriz Tatá Werneck, hoje VJ da MTV. Nos últimos anos, mais de 45 mil pessoas já assistiram às apresentações do grupo em 17 estados de todas as regiões do Brasil. As inscrições para a oficina podem ser feitas através do e-mail escoladegente@escoladegente.org.br . Na sequência, uma mesa redonda irá debater o tema acessibilidade na cultura, políticas e prática.

A abertura oficial da Mostra acontece às 19 horas com o espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho – Em Esquetes, encenado pelo grupo Os Inclusos e os Sisos. Apresentado pela primeira vez em 2007, com texto e direção de Diego Molina, a peça foi adaptada por Marcos Nauer, em 2011, para circular por sete cidades da região Nordeste. Em 2012, circulará por outras cidades com patrocínio da empresa Vale por meio de Lei Rouanet. Com bom humor, as cenas vão revelando formas sutis de discriminação. O livro que deu origem ao espetáculo, Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva, é de Claudia Werneck, publicado no ano de 1996 pela WVA Editora, especializada em inclusão, e se tornou a primeira obra no Brasil a tratar do tema a partir da Resolução 45/91, assinada pela ONU em 1990. Assim como o livro, a peça tem como tema central a urgência em se promover uma sociedade inclusiva, passando da fase de conscientização para a de ação.

No segundo dia da Mostra quem sobre ao palco é o ator Charles Fricks, vencedor dos prêmios Shell e APTR, na categoria Melhor Ator, pela atuação no monólogo O Filho Eterno, da Cia dos Atores de Laura, com direção de Daniel Herz. A versão para o palco do premiado livro de Cristóvão Tezza narra as dificuldades de um pai lidar com o filho que nasce com síndrome de Down. Pela primeira vez este espetáculo será apresentando com acessibilidade, numa decisão e oferta da Escola de Gente por meio da I Mostra de Teatro Acessível. O objetivo é mobilizar outros grupos teatrais para a prática da acessibilidade em espetáculos culturais.

A I Mostra de Teatro Acessível integra a campanha Teatro acessível: arte, prazer e direitos, lançada pela Escola de Gente em junho de 2011 com o espetáculo Um Amigo Diferente?. Na ocasião, estiveram presentes o Secretário da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Henilton Menezes e a procuradora da República no estado de São Paulo, Eugênia Augusta Gonzaga, que atestaram o quanto os projetos culturais da Escola de Gente estavam alinhados com as políticas públicas e com a legislação nacional e internacional sobre direitos humanos.