Capa livro Carpe Diem - CAPA DO MANUAL COM BORBOLETAS COLORIDAS, TÍTULO “MUDE SEU FALAR QUE EU MUDO MEU OUVIR – ACESSIBILIDADE – UM LIVRO ESCRITO POR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTIUAL AUTORES: ASSOCIAÇÃO CARPE DIEM, CAROLINA YUKI FIJIHIRA, ANA BEATRIZ PIERRE PAIVA, BEATRIZ ANANIAS GIORDANO, CAROLINA DE VECCHIO MAIA, CAROLINA REIS COSTA GOLEBSKI, CLAUDIO ARRUDA LEONE, THIAGO RODRIGUES.Por  Beto Volpe
‘Para a gente ter acesso as pessoas precisam abrir o coração.’
Bia
Quando as pessoas vêm para esta vida com a incumbência de serem especiais, algumas capricham. Em um mundo cada vez mais desinformado, apesar de tanta informação, ler Bia declarando sua preocupação com a falta de informações da sociedade poderia ser mais uma de tantas apreensivas afirmações sobre o futuro de nossa civilização. Mas Bia tem síndrome de Down e ela não escreveu isso em seu blog ou em seu diário, apesar da importância de ambos. Tanto essa passagen como várias outras estão registradas em um livro a ser lançado no próximo dia 21 de março na sede da ONU nos Estados Unidos. Bia, Thiago, Cláudio e os demais jovens da Associação Carpe Diem de São Paulo terão a oportunidade de gritar ao mundo, ao lado de Ban Ki-moon: MUDE SEU FALAR QUE EU MUDO MEU OUVIR !
Smples assim. Porque o universo das pessoas com Síndrome de Down seria extremamente simples, não fossem as barreiras criadas pela sociedade em todas as áreas de suas vidas, mas especialmente na da comunicação. E o livro trata exatamente disso, de dicas simples para que a informação possa fluir nos dois sentidos, produzindo a sinergia que se espera quando a diversidade co-existe e é valorizada.
Parabéns ao pessoal da Associação Carpe Diem pelo belo trabalho realizado, do qual tenho orgulho de ter participado, mesmo que uma ínfima fração. Parabéns Marta Gil pela inspiração e piração da galera ao plantar a semente desse trabalho, com direito a um belo prefácio. E parabéns, especialmente, a todos esses e essas jovens que decidiram que iriam fazer algo para solucionar um grande problema de comunicação de nossa sociedade e tomaram a atitude de expôr suas vidas em um registro belíssimo e rico em orientações para que possamos cumprir com o objetivo do livro: que nos adaptemos, provocando adaptações.
O lançamento será por ocasião do Dia Mundial da Síndrome de Down, o primeiro oficial, atendendo a proposta brasileira aprovada por consenso pela Assembléia Geral da ONU em dezembro passado, sendo celebrado no dia 21 de março de todos os anos. Quem se interessar em adquirir a obra pode acessar http://www.carpediem.org.br/si/site/0700 para maiores informações. Apenas para dar água na boca, aí vão algumas pérolas retiradas da obra:
‘O meu grande sonho é que meu pai biológico lesse esse livro. Porque para ele vai ser super importante, para ele saber que eu estou aqui. Espero que esse livro ajude muito meu pai.’
Bia
‘…nós com deficiência intelectual, nós somos especiais, mas somos a esperança do futuro e do mundo. … nós somos a esperança de dar um livro de presente para todos vocês. Ele fala sobre a alma. Ele fala sobre emoção. Esse livro foi alegria para nós… um filho.’
Thiago
‘Eu já senti tanto preconceito nas ruas! As pessoas me olham de um jeito estranho e tal. E aí, eu tive coragem de falar com eles. Precisam amar todas as pessoas que têm na vida!’
Cláudio
É isso aí, galera. Vocês nos passam a sabedoria ancestral de que para mudar é preciso abrir o coração. E não há coração endurecido que não se abra a pessoas… Simples assim.