Palavra violência escrita com giz num quadro

Com o objetivo de identificar a situação vivenciada diariamente por jovens estudantes das escolas públicas de Fortaleza, capital do Ceará (Brasil), o programa de Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), integrando o Projeto de Apoio e Articulação entre Grupos de Pesquisa em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, realizou a pesquisa Adolescência e Juventude: situação de risco e redes de proteção na cidade de Fortaleza.

Coordenada pela professora Veriana Colaço, a sondagem foi aplicada em 43 escolas da capital cearense, sendo 18 escolas municipais e 25 estaduais. A faixa etária dos alunos que responderam a pesquisa foi de 14 a 24 anos, predominando os estudantes entre 15 e 17 anos, e com maior participação das mulheres.

Segundo a professora, para realizar a investigação foi elaborado um “questionário bem amplo”, contendo 77 questões, sendo 76 objetivas e uma subjetiva. Entre os temas: família, sexualidade, saúde, lazer, drogas, religiosidade, pertencimento à comunidade, fator de proteção entre outros.

“Primeiro nós fizemos contato com as escolas e secretarias municipal e estadual de educação. Depois falamos com as turmas nos três turnos e apresentamos a pesquisa”, explica. De acordo com ela, a proposta foi bem recebida. “Eles [os alunos] foram muito participativos, muito disponíveis, inclusive na última questão aberta, onde eles puderam escrever e sugerir. Eles se mostraram bem empolgados. A gente teve uma receptividade muito boa”, detalha.

Depois de realizada a pesquisa, vieram os resultados. Segundo Veriana, o primeiro problema identificado foi o alto índice de reprovação escolar, em alguns casos, com mais de uma reprovação; seguido pelo alto número de adolescentes que já trabalham na informalidade. Além disso, aparece como um dos principais problemas, o uso de drogas lícitas como o álcool devido ao “acesso fácil”, conforme destaca a coordenadora.

Entre outros pontos críticos também revelados pela pesquisa estão o registro de violência doméstica e a alta incidência de preconceito por aparência física, cor da pele, orientação sexual, mas, principalmente pelo ‘bairro onde mora’, sobretudo, das regiões mais periféricas de Fortaleza.

Por outro lado, a coordenadora também destaca os aspectos positivos identificados pela pesquisa como boa autoestima dos/as entrevistados/as, lazer, valores positivos em relação à autoeficácia e perspectivas de futuro. No entanto, foi possível perceber também que não há muita expectativa em relação ao ingresso no ensino superior. Outro fator é que os entrevistados consideram a instituição da família e da escola como ponto de apoio para seu desenvolvimento.

Diante dos resultados, que foram apresentados durante um fórum no último dia 2 na UFC, a professora afirma que as soluções não são simples, já que são de ordem estrutural e exigem a elaboração de políticas e programas intersetoriais. Mas para ajudar a melhorar os índices negativos, ela disse que já estão sendo planejadas algumas ações. “O primeiro movimento [nesse sentido] é que editamos uma cartilha para os professores abordarem essas questões com os alunos nas escolas”, adianta.

Além disso, professores que participaram da pesquisa também estão desenvolvendo projetos temáticos para trabalhar as problemáticas diretamente com os jovens. Veriana revela que os projetos abrangem a questão étnico-racial, comunicação e acesso às mídias, preconceitos, entre outras. “Vamos aprofundar a pesquisa quantitativa para tentar analisar em qual região se encontra mais os problemas e aí desenvolver projetos para trabalhar a questão”, finaliza.

Fonte: Adital