Por Daniella Jinkings
da Agência Brasil

Há mais de dez anos, defensores de direitos humanos de Goiás sofrem ameaças de morte por integrantes de grupos de extermínio. Mas as ameaças foram intensificadas após a Operação Sexto Mandamento da Polícia Federal (PF) que desarticulou uma organização criminosa composta por policiais militares em fevereiro. Para avaliar a situação do estado e cobrar providências do governo estadual, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados fez hoje (26) uma audiência pública.

A comissão ouviu depoimentos de militantes ameaçados, como o diretor da Casa da Juventude, padre Geraldo Labarrére. Ele, que faz trabalhos com crianças e adolescentes de baixa renda, terá de deixar Goiânia após várias ameaças de morte. Segundo o padre, a raiz desse tipo de violência feita pelos grupos de extermínio é cultural. “Há a cultura de que pobres e negros não são gente. É muito difícil a polícia reagir. Ou a gente fala que não pode matar, ou então não há saída.”

A comissão discutiu, além das providências para garantir a integridade física do religioso, a continuidade de inquéritos e processos judiciais contra policiais envolvidos em grupos de extermínio, desaparecimento forçado, ameaças e outras violações de direitos humanos. Outro ponto tratado, foi a federalização do caso e a criação da Defensoria Pública Estadual. “A federalização é um dos elementos que ajudariam e dariam maior liberdade de investigação”, disse o padre Geraldo.

A Operação Sexto Mandamento prendeu 19 policiais envolvidos em homicídio de crianças, adolescentes e mulheres. Eles são acusados de ameaças, extorsões e execuções de pessoas que vivem na periferia de Goiânia e cidades próximas.

De acordo com a coordenadora da Comissão de Defesa da Cidadania do Estado de Goiás, Adriana Accorsi, exitem cerca de 50 casos de desaparecimentos que ainda estão sendo investigados. Ela acredita que a situação piorou com a operação da PF. “Se, por um lado, temos prisões efetuadas e investigações em andamentos, por outro, temos o exacerbamento do sentimento dos policiais e dos simpatizantes da cultura de violência policial contra aqueles, para eles, motivaram a operação”.

A comissão da Câmara deve propor ao governo de Goiás a adoção de medidas estruturais contra a impunidade nos crimes de extermínio, além de ações de educação e cultura em direitos humanos na formação dos agentes públicos de segurança pública.

Fonte: Agência Brasil