Violência - Em fundo preto, impressão de palma da mão espalmada com tinta branca.

Por Arísia Barros
no Raízes d’África

O menino não se tornará homem. Três tiros certeiros estouraram seu cérebro espalhando sangue por toda extensão da calçada.

O menino com o corpo morto, aos 13 anos, não se tornará um homem, pois a vida adulta lhe fora roubada, ali naquele átimo de segundo, por outro menino igual a ele.

A irmã do menino, tão nova quanto ele, não balançará os cabelos ao vento, nem flertará com os sonhos da adolescência. Os tiros certeiros também estouraram os muitos passos, que ela  daria pelos caminhos da vida.

Os amig@s do menino e da menina mortos, ainda na adolescência, percebem a cena como a morte da inocência. Choram assustad@s, vulneráveis, agarrad@s uns aos outros como a querer expulsar um sonho ruim. Lembram até de ter visto algo igual no mundo virtual dos vídeos-game que tod@s se juntavam para jogar, aos domingos, bem próximo, na lan house da esquina.

Mas, aquilo já não era mais um brinquedo inocente. O menino e a menina foram trucidados na frente de todo mundo. A vida real enchia de pesadelos o futuro dess@s e de tant@s outr@s menin@s.

Faz muito tempo que a infância era rodeada da certeza de futuro.

O menino e sua irmã foram assassinados na calçada de casa, bem jovens!

Não tiveram tempo de conquistar a independência nos territórios das descobertas…

Seus pais irão enterrá-los.

Em Alagoas, no dia da independência, pais e mães aprisionados às violências sem o controle do estado, que deveria proteger suas crianças, enterram muitos outr@s filh@s,que se tornam  mais um  número nas frias estatísticas governamentais.

Naturalizamos a violência, a miséria e a morte que rouba nossa infância.

A violência contemporânea é promíscua!

Fonte: Raízes d’África