Uma nova modalidade de educação começa a ser implantada no estado de São Paulo, a Educação Inclusiva tem feito com que a cada ano mais crianças com deficiências passem a estudar em escolas regulares.

Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que o número de deficientes matriculados nas escolas regulares, em três anos, passou de 47% para 54%. Em 2010, 375.772 alunos deficientes estudaram em salas de aula comuns.

O MEC propõe as diretrizes do programa e cada cidade desenvolve seu método de educação inclusiva. A proposta tem o objetivo de fazer com que os deficientes frequentem classes comuns, com outras crianças. O conteúdo trabalhado em sala de aula deve ser o adequado para cada idade e deficiência. A intenção é eliminar as chamadas “escolas especiais” e não separar as crianças deficientes das outras, menos ainda ensinar-lhes conteúdos diferentes.

O trabalho – O município de Capela Do Alto, por exemplo, trabalha a educação inclusiva desde 2009. Até então,  43 crianças portadoras de alguma deficiência eram atendidas na chamada “escola especial”. De lá para cá, aproximadamente 200 alunos estão inseridos nas escolas regulares.

Cada escola municipal da cidade conta com uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Nela, educadores previamente treinados, atendem os alunos deficientes fora do horário de aula. Mesmo assim, os alunos deficientes frequentam a sala de aula regular.

Os professores que tiverem problemas na hora de lecionar as crianças com deficiência também podem pedir auxilio para o educador da AEE.

Nas seis escolas do município, as crianças deficientes físicas, sensoriais, intelectuais ou com qualquer tipo de transtorno psicológico, autismo ou superdotados, são atendidas pelas AEE. Os professores trabalham em cima de metas feitas a partir da capacidade de cada aluno.

A responsável pelo projeto em Capela do Alto, especialista em educação inclusiva, Maria Angélica Bergamini, diz que cada criança tem uma capacidade de aprendizagem. “Têm crianças que saem da sala de aula sabendo 100% do conteúdo, outras só absorvem 30%. O deficiente não vai aprender tudo, mas alguma coisa ele capta”.

Como explica a psicopedagoga Rosangela Domingues. De acordo com ela, se o aluno tem capacidade de aprender as vogais, o professor é orientado a trabalhar em cima dessa meta. “Se no fim do bimestre a criança atingir a meta estipulada, ela merece uma nota azul, um B ou um A”.

Um exemplo das crianças atendidas é o de Ingrid Camila dos Santos Mori, que tem 12 anos e sofreu uma paralisia cerebral no parto. Ela tinha um comportamento complicado em sala de aula, depois de ser incluída no programa, a menina frequenta a escola normalmente.

Segundo Terezinha da Conceição Menk, professora de Ingrid, o começo foi difícil. Ela conta que tinha a preocupação de não saber se conseguiria ensinar a garota. “Mas com o passar do tempo, eu percebi que não tinha diferença, ela é igual às outras crianças”. Hoje Ingrid já sabe ler, escrever e, na aula de informática, destaca-se em jogos educativos.

O projeto em Capela do Alto conta com a parceria da secretaria de Saúde e do Fundo Social. Se for constatado que a criança tem algum problema de saúde, ela será encaminhada a um médico especializado. Já se o problema é a família, o Fundo Social será chamado para tentar atender a situação. “O nosso foco é melhorar o rendimento escolar do aluno”, diz Maria Angélica Bergamini.

Os resultados são visíveis. As crianças deficientes estão incluídas e aprendendo. Segundo Rosangela Domingues, é um trabalho muito gratificante. O secretario de Educação de Capela do Alto, Vanilton Machado de Oliveira, comenta que se fosse necessário fazer tudo novamente, eles fariam porque o trabalho tem sido um sucesso.

O projeto não enfrenta muitas dificuldades, mas um problema é o medo de errar dos professores. Aguns resistem ao novo sistema e não estão dispostos a mudar sua maneira de dar aula.

A pedagoga Rosangela Domingues adapta materiais e atividades para ajudar os professores. “Eu dou as ideias, mas cada professor tem que fazer seu próprio material e adaptar suas atividades”.

Em Iperó – Um projeto semelhante acontece em Iperó. Também seguindo orientações do MEC, 60 crianças deficientes são atendidas em contra turno (horário diferente ao da aula regular) e frequentam as classes comuns. Segundo Elaine Aparecida Mondeque de Aguiar, coordenadora pedagógica do AEE da cidade, a mudança no nível de aprendizagem das crianças foi de 95%. Com esse trabalho, a cidade já incluiu três alunos no mercado de trabalho.

Atraso – Já em Araçoiaba da Serra, somente cinco crianças deficientes são atendidas em escolas regulares. Segundo o secretario de Educação, Geraldo Rodrigues, essas crianças são as únicas que recebem atenção especializada com psicóloga e psicopedagoga além de frequentar a aula regular.

Na cidade, a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) conta com 36 deficientes mentais, de 9 a 56 anos. Os jovens que frequentam esta instituição na idade de estudar não vão à escola regular. Segundo a diretora da instituição, Severina Acioli Ramos, são jovens apassiveis, que não têm condições de frequentar uma sala de aula comum.

A inclusão com esses jovens é feita com excursões ou grupos de teatro, coral, dança. Severina comenta que essa é uma maneira dos jovens se adaptem na sociedade. “Com as apresentações de teatro e dança, por exemplo, pretendemos também que as pessoas se acostumem com as crianças especiais”.
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Fonte: Jornal Ipanema