Lápis coloridos em um vitral.

Karol Assunção, da Adital

“O mundo não está no caminho certo para alcançar os objetivos de Educação para Todos fixados para 2015”. Isso é o que indica o “Relatório de Monitoramento Global de EPT [Educação para Todos] 2011” lançado em 1°/3  pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Apesar de alguns avanços – como a melhoria na paridade de gênero nas matrículas escolares e a redução do número de crianças fora das escolas -, o informe revela que eles ainda não são suficientes para garantir que os países conseguirão alcançar as metas estabelecidas em um compromisso assinado na Conferência Mundial de Educação no Senegal, em 2000. “Os governos terão de demonstrar um senso muito maior de urgência, determinação e propósito comum para tornar os objetivos realizáveis”, destaca.

Isso porque, de acordo com o estudo, a redução da quantidade de crianças fora do ambiente escolar ainda está lenta. Prova disso é que pelo menos 67 milhões de meninos e meninas estavam fora da escola no ano de 2008. “Se as tendências atuais continuarem, pode haver mais crianças fora da escola em 2015 do que há hoje”, adverte.

Além disso, muitos estudantes abandonam as salas de aula antes mesmo de terminar o ensino primário. Na África subsaariana, por exemplo, todos os anos, 10 milhões de meninos e meninas abandonam a escola primária.

A situação não é menos preocupante em relação aos adultos. Segundo o relatório, aproximadamente 17% (796 milhões) das pessoas não têm “competências de alfabetização básicas”. Dessas, dois terços são mulheres, o que evidencia que a disparidade de gênero ainda é recorrente no campo educacional.

O desafio também não está somente em aumentar o ingresso de alunos na rede de ensino, mas também em melhorar a qualidade da educação. Ainda nos dias atuais, milhões de crianças terminam o ensino primário sem apresentar níveis esperados em leitura, escrita e operações matemáticas.

Para uma qualidade, é necessário aumentar o número de professores – de acordo com o relatório, pelo menos mais 1,9 milhão até 2015 – e o investimento no ensino. “Embora os países de baixa renda tenham aumentado a parcela da renda nacional gasta em educação, de 2,9% para 3,8% desde 1999, algumas regiões e países continuam a negligenciar a educação. As regiões central, sul e oeste da Ásia investem o mínimo em educação”, revela.

Educação e conflitos armados

Se garantir o acesso à educação a todos já é um grande desafio, imagine assegurar esse direito no contexto de conflito armado. Chamado pela Unesco de “crise oculta”, a educação e os conflitos armados é, para o organismo, “um desafio global que exige resposta internacional”.

Os números destacados no relatório mostram a gravidade do problema: 42% [28 milhões] das crianças em idade escolar primária que não estão nas escolas vivem em países afetados por conflitos armados. Vale ressaltar que, nesses países, os gastos militares são superiores ao da educação. “Vinte e um países em desenvolvimento gastam mais em armas do que em escolas primárias; se eles cortassem os gastos militares em 10%, poderiam incluir um adicional de 9,5 milhões crianças na escola”, observa.

Para ler o relatório completo, acesse: http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/ED/pdf/gmr2011-summary-pt.pdf
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Fonte: Adital