Imagem da sessão e dos presentes

Na sexta-feira (25/2), o Programa de Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP recebeu o professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, João Luiz Dornelles Bastos, que apresentou a sessão científica Desenvolvimento, descrição e propriedades psicométricas de um instrumento para aferir discriminação no Brasil e sua aplicabilidade para a área da saúde pública. Fruto de sua tese de doutorado, defendida em 2010 no Programa de Pós-graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, o projeto teve como objetivo desenvolver um instrumento para medir experiências discriminatórias em adultos brasileiros.

O estudo se insere na linha de pesquisa das desigualdades em saúde e procurou elaborar um instrumento para medir experiências de discriminação. Além disso, pretendeu-se ainda investigar a associação da experiência de discriminação com condições e comportamentos em saúde, dentre os quais: tabagismo; consumo de bebidas alcoólicas; e autopercepção de saúde.

Segundo João, a população do estudo foi composta por estudantes universitários de uma instituição pública de ensino superior na cidade do Rio de Janeiro. Os itens do instrumento que medem o relato de discriminação foram confeccionados com base em uma revisão da literatura e na condução de grupos focais.

João explicou ainda que existem intensos debates acadêmicos acerca das origens das desigualdades em saúde. Dessa forma, a pesquisa se justificou pela importância da elaboração de um instrumento para medição do relato de discriminação, com o intuito de contribuir para o entendimento de suas relações com as desigualdades em saúde no Brasil. “A identificação dos determinantes das desigualdades raciais em saúde, entre elas o relato de discriminação, é necessária ao desenvolvimento de ações efetivas para a sua redução”, destacou o professor.

Estratégia para medir a discriminação

“Foi desenvolvido um conjunto de 18 perguntas com quatro sub-itens: exposição a tratamento diferencial; motivações para o tratamento; grau de incômodo gerado pelo evento e atribuição do tratamento diferencial à discriminação. Além destes, um par de perguntas dizia respeito ao testemunho de tratamentos diferenciais e atribuição do evento à discriminação contra terceiros”, explicou o pesquisador. A primeira aplicação do instrumento foi realizada em 424 estudantes de graduação por meio de um questionário autopreenchível, que também avaliou condições e comportamentos em saúde. Em seguida, quinze dias após a primeira aplicação, 55 desses estudantes tiveram a reaplicação do instrumento.

Por fim, João Luiz apontou que, nas pesquisas com grupos focais, construtos preconceito e discriminação são pertinentes no contexto investigado. Além disso, participantes relataram experiências discriminatórias com múltiplas motivações. De acordo com João, “tendo em vista a aplicação da escala na referida população de estudo, esperou-se obter uma estimativa da frequência do relato de discriminação em diferentes dimensões de vida desses sujeitos. O cruzamento das informações relativas à discriminação e a algumas condições e comportamentos em saúde poderá elucidar o padrão de relações existentes entre esses fenômenos na população investigada”, concluiu.
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Fonte: ENSP