Professor: habilidade contra preconceito
Discriminação merece atenção das instituições escolares; ontem, orientações sobre o tema foram discutidas com docentes
Mariana Cerigatto
Capacitar professores para combater o preconceito em sala de aula foi um dos temas que fomentou o debate da mesa-redonda sobre educação, direitos humanos e cultura afro-brasileira na manhã de ontem, no Núcleo de Aperfeiçoamento Profissional da Educação Municipal de Bauru (Napem). O evento integra a Jornada Bauruense pelos Direitos Humanos, que acontece desde dia 16 na cidade e termina no domingo.
“Há dificuldade em lidar com preconceitos porque não temos professores habilidosos para trabalhar com as discriminações que ocorrem no dia a dia da escola. Elas passam despercebidas e a entidade acaba deixando o preconceito se alastrar”, alerta a docente Maria Valéria Barbosa, da Faculdade de Filosofia e Ciências (FCC) da Unesp de Marília, convidada a discutir o tema do preconceito junto ao público.
“Com a omissão, permitimos que se propague os sentimentos de inferioridade e superioridade. Não se estabelece que os seres são diferentes pelas características biológicas ou pelas características de raça. O preconceituoso já estabelece quem é melhor ou pior, sem considerar as capacidades de cada indivíduo”, acrescenta.
Já o professor Clodoaldo Meneguello Cardoso, coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Unesp, destaca que o combate às discriminações depende de uma postura que contemple mudanças na mentalidade e nos valores. Essa mudança acontece através da educação, mas a longo prazo.
“É preciso tomar consciência de que o ser humano é um animal que tem como marca a individualidade. Mas precisamos conceber o princípio de diversidade, que respeita as individualidades e combate desigualdades, as quais ferem a dignidade.”
E o papel da escola é primordial, pois é ela que deve formar os alunos, que serão futuros multiplicadores dos ensinamentos na sociedade, pontua a Secretária Municipal de Educação, Vera Caserio. Ela, que aprovou o evento, diz que o preconceito de todo tipo deve ser trabalhado nas escolas, na família e na comunidade.
Na mesa-redonda estiveram presentes professores de escolas públicas e particulares de Bauru, além de autoridades e demais interessados. Na ocasião foram entregues edições do JC Criança aos docentes, que trazem conteúdo educativo e informativo sobre direitos humanos voltado ao público infantil.
O coordenador operacional do projeto JC na Escola, Sérgio Purini, salienta a importância em se trabalhar os direitos humanos desde a infância. “Na edição do JC Criança do último domingo, apresentamos o tema de direitos humanos ao público infantil por meio de uma linguagem lúdica e atrativa”, ressaltou.
A professora Rosa Maria Araújo Simões, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp de Bauru, trouxe à tona a discussão de manifestações culturais que remetem à cultura afro-brasileira. O foco do debate foi levantar os diversos tipos de preconceito. Segundo Meneguello, na cultura brasileira há três tipos de preconceito muito fortes: o social, étnico-racial e o de gênero.
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Fonte: Jornal da Cidade de Bauru
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