Imagem aérea de área de extração mineral

Por Andrei Bastos

Até hoje tem gente que não acredita que, em 20 de julho de 1969, o americano Neil Armstrong pisou na Lua. “Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade”, disse Armstrong para o planeta Terra.

Entre os pequenos passos do homem e os grandes saltos da humanidade, no mundo da Lua ou no mundo em que vivemos, as caminhadas pela conquista de direitos são longas e exigem muita perseverança e discernimento.

Discernimento é a chave que abre as portas da inclusão social dos segmentos excluídos pelo preconceito e pela discriminação. Quem acreditava que pudéssemos ir à Lua antes da viagem da Apollo 11? Assim como um astronauta superou limites comuns a todos os homens, todos os homens são capazes de superar seus próprios limites.

Mais do que acreditar, entender essa possibilidade é o que pode revolucionar os conceitos de civilização e construir um mundo de oportunidades iguais para a diversidade humana. E este mundo onde todos serão iguais, mesmo sendo diferentes, já está sendo construído, tanto pelos que sempre lutaram por direitos como pela sociedade em geral.

Atualmente, as demonstrações mais significativas deste processo, irreversível, estão sendo apresentadas por grandes empresas que, muito além de simplesmente cumprirem uma lei de cotas, desenvolvem novas culturas internas e irradiam para a sociedade a idéia concreta da inclusão.

Entre essas empresas, a Vale se destaca pelo gigantismo, da empresa e da proposta de inclusão, e pelos desafios que muitos dos seus postos de trabalho representam para serem ocupados por profissionais com deficiência. Mas já faz tempo que o homem pisou na Lua, deixando tudo mais fácil.

Acompanhando os avanços tecnológicos, as idéias que dominam a atualidade demonstram, e defendem, tanto a irreversibilidade do mundo acessível como a capacidade de cada homem superar seus próprios limites e se apresentar como a única pessoa capaz de dizer até onde pode ir.

Por mais inusitado que pareça, se a tecnologia ou o indivíduo viabilizam a ocupação de um posto de trabalho encarado como de difícil acesso e operação até por quem não tem deficiência, a última palavra deve ser do deficiente, que tem direito à oportunidade de provar que é capaz.

As potencialidades físicas, sensoriais e intelectuais diferem entre todos os homens e, muitas vezes, uma aptidão surge quando se supera uma limitação. É com este entendimento que os deficientes querem ser incluídos no mercado de trabalho, seja operando guindastes gigantescos, seja desenvolvendo complexas operações científicas em computadores.

A Vale dá o exemplo na grande abrangência do seu processo de inclusão, capaz de deixar sua marca na comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência deste ano, este 3 de dezembro. A sociedade brasileira, por sua vez, se prepara para dar um grande salto e fazer com que muitos homens e mulheres com deficiência dêem pequenos ou largos passos nos portos de exportação de minérios, nos escritórios dos centros urbanos, nas minas, nas estradas de ferro. Está na hora de as pessoas com deficiência pisarem esses chãos.

* ANDREI BASTOS é jornalista e integra a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ.

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Fonte: O Autor