Inclusive - alunos fazendo arte e pinturas no chão.O primeiro evento foi sobre Bullying. Já o II Simpósio de Educação, realizado na noite da última terça-feira, 15 de novembro, no Centro de Convenções, ofereceu palestras sobre a educação inclusiva. “A intenção é trazer sempre temas que contribuam para o trabalho dos professores e estudantes de educação”, explicou o vereador Prof. Rodrigo Parras, um dos organizadores do evento, durante o seu pronunciamento na abertura da programação, acompanhada por 130 pessoas.

A professora Rosa Helena Nunes, coordenadora pedagógica do simpósio e representante do CAADE (Centro de Atendimento e Apoio ao Desenvolvimento Educacional), explicou que a rede municipal de ensino registra crescimento anual entre 10% e 15% no atendimento a crianças com necessidades especiais. Hoje, a rede tem 150 alunos diagnosticados. “Só se constrói educação inclusiva com a troca de experiências, enfrentando os desafios para avançar”, ressaltou.

O professor Jorge Tomioka, da Universidade Federal do ABC, integrou a mesa de trabalhos e destacou a importância da formação profissional para o mercado. Segundo ele, o projeto para o campus da UFABC em Atibaia está focado na integração regional. “O nosso trabalho aqui será na pesquisa e na preparação de um profissional de qualidade para o mercado”. O Ministério da Educação já reservou 400 vagas federais, de ensino superior, para Atibaia, a partir de 2011. É o primeiro passo para a concretização do sonho da universidade federal.

Abrindo as palestras, a professora Regiane B. Bergamo, da Facinter, falou sobre “A diferença entre educação especial e educação inclusiva”. Segundo ela, desde 1996, com base na Lei de Diretrizes e Bases, o objetivo é que todos os alunos, inclusive os que apresentam deficiências, estudem juntos, em escola regular. Passados 14 anos, a discussão continua. Para ela, a educação especial é uma modalidade voltada para os educandos com necessidades especiais, já a educação inclusiva procura complementar os serviços educacionais comuns, fazendo o acolhimento – a palavra de ordem – e a adaptação desses alunos. Ela terminou sua palestra com a citação: “Se uma criança não aprende da maneira que queremos, devemos ensiná-la da maneira que ela possa aprender”.

A professora da FAAT Sabrina Helena Bandini Ribeiro – psicóloga, acompanhante terapêutica e mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – abordou o tema “A inclusão de alunos com comprometimentos graves”. Segundo ela, “o autismo não é mais uma condição rara”. “Quase todas as escolas têm pelo menos um aluno com esse quadro. O importante é a criança. É nela que devemos pensar antes de trabalhar com a situação. Qualquer criança aprende, por mais comprometida que esteja. As escolas pensam que estão fazendo inclusão, mas muitas vezes estão fazendo integração (inserção condicional). A inclusão pressupõe a concepção de diferenças, que são atendidas com suporte e ajustes. É uma inserção incondicional”, explicou. Para Sabrina, a inclusão não pode se restringir às escolas, mas ser estendida à sociedade como um todo.

O professor da FAAT, psicólogo, psicanalista e mestre em Educação pela USP, Tácito Carderelli da Silveira, falou sobre “O papel do professor na Educação Inclusiva”. Para ele, o compromisso com a inclusão é ético e político, “até porque a sociedade capitalista criou exclusão em todos os níveis. A batalha da educação é reverter o processo histórico de exclusão. Temos de nos engajar nesse processo. Para isso, partimos de necessidades legais, estruturais (adaptações físicas) e práticas pedagógicas. Mas a rocha mais dura é o preconceito social, talvez o mais difícil obstáculo a ser superado rumo à inclusão. As dificuldades são contornadas, mas não transformamos a mentalidade das pessoas apenas com rampas. A inclusão de fato – e não só de direito (leis) – exige o laço social, que vai além da escola e envolve toda a sociedade”, disse.

Ao encerrar o evento, por volta das 22h, o Prof. Rodrigo lembrou que o objetivo do simpósio “foi qualificar e preparar os professores e os estudantes de educação sobre a demanda da inclusão”. “Queremos que esse debate gere políticas e novas práticas educacionais”, reforçou.

Os participantes do simpósio receberam certificados na saída do evento, que foi organizado pelo Instituto Educar e teve o apoio da Prefeitura de Atibaia, FAAT, COC, Uninter, Unip, Apeoesp, Global Papelaria, Café Atibaiense e Conselho Municipal de Educação.

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Fonte: Assessoria de Imprensa Câmara Municipal da Estância de Atibaia