Síndrome não tem cura mas tratamento precoce traz melhoras e permite rotina próxima do normal

João Victor e a mãe Cristina (à dir.) participam de atividade no Instituto Ser: estímulo e progressos (Foto: Divulgação)

Delma Medeiros, Agência Anhanguera de Notícias

Uma síndrome neuro-comportamental que interfere no desenvolvimento social, na linguagem e na capacidade criativa da criança, o autismo infantil não tem causa conhecida nem cura. Mas, quando diagnosticado e tratado precocemente por profissionais especializados, tem seus sintomas gradualmente amenizados, permitindo aos portadores uma rotina muito próxima do normal, com desenvolvimento de linguagem e interação social.

Na mesma linha, a síndrome de Asperger, também do espectro do autismo, é um transtorno pouco conhecido inclusive pela classe médica. A síndrome se caracteriza pelo isolamento, pouca comunicação verbal e interesse muito focado. Se diferencia do autismo por não comportar nenhum atraso no desenvolvimento cognitivo ou de linguagem. “As pessoas dotadas da condição de Asperger têm inteligência normal ou até acima da média”, afirma a psicóloga Ana Parreira, que tem um familiar com a síndrome e passou a estudar o tema.

Segundo o psiquiatra da infância e adolescência, César de Moraes, a síndrome de autismo começa cedo, antes dos 3 anos. “Mas, comumente, é possível se observar alterações no desenvolvimento já no primeiro ano de vida”, diz o especialista. Não responder quando chamado pelo nome e não apontar coisas são alguns dos sinais de autismo infantil. “Essas alterações ficam mais evidentes a partir do segundo ano de vida. O atraso no desenvolvimento da fala é o fator que mais leva os pais a buscarem ajuda especializada”, informa.

Segundo o médico, não há dados estatísticos da síndrome no Brasil. Mas, dados internacionais de países como Estados Unidos, Inglaterra e Canadá sugerem uma prevalência em torno de 1% das crianças. O transtorno acarreta dificuldades de interação social, atraso ou ausência da fala, comportamento repetitivo, apego à rotina, pouco contato visual, falta de criatividade nas brincadeiras, dificuldade de expressão e de interpretar fatos e pouca socialização. Já o tratamento em centros especializados e equipe transdisciplinar, com estimulação da linguagem, cognição e socialização, nas áreas de fonoaudiologia, terapia ocupacional, atividades pedagógicas, entre outras, melhora o desenvolvimento da criança. “O tratamento consiste nesse processo de estimulação e orientação à família”, diz.
____________

Fonte: Cosmo