Professores em contato com pessoas com síndrome de Down têm que estar atentos às individualidades para saber trabalhar expectativas da turma

KARINA COSTA

Barulhenta e agitada, assim é a turma do sexto ano da Escola Municipal Romeu Barbosa, emSão Cristóvão. Oaluno Roberto Nunes, 16 anos, mostrase um pouco mais quieto que os demais. Engana-se quem acredita que ele é sempre assim, diz a colega Evely Conceição, 10 anos. “Às vezes ele coloca a toalhinha (de lavabo) na cabeça e fica fazendo graça”, conta a menina ao falar do colega, que tem Síndrome de Down.

Roberto é simplesmente Beto na boca dos amigos, professores e da vice-diretora da escola, Sônia Beatriz Mota.

“Quando Beto chegou aqui, em 2004, tinha nove anos e não tivemos nenhum problema de socialização. A relação com os colegas é das melhores, e sempre foi assim”, explica a diretora, que trabalha na instituição há 11 anos.

Ginalva Carneiro é a professora predileta de Beto e ao falar das diferenças, ela pondera: “Beto tem a diferença que é genética e visível, tem outros que aprendem mais lentamente, ou que não gostam de algumas matérias, mas isso ainda não é respeitado”.

A professora benquista da turma estende a discussãosobre a postura do aluno Beto e fala sobre diferenças em um sentido mais amplo. Para ela, considerando a individualidade de cada aluno, é preciso trabalhar com diferentes expectativas.

“Mas ainda existe o professor conteudista que quer passar assunto, sem ver as carências e as potencialidades de cada um”.

Inclusão, um direito Os portadores da Síndrome de Down têm pela Lei de Diretrizes Básicas (LDB) de nº 9394 de 1996 o direito de serem matriculados na escola regular, comoqualquer outra pessoa que exija atenção especial.

Para especialistas, não há outro caminho para a inclusão social.

Um ano depois de decretada a lei de inclusão na LDB, em 1997, a Associação Baiana de Síndrome de Down, a Ser Down, na Pituba, que até aí realizava um trabalho de acolher pais de recém-nascidos comadeficiência,”virouuma entidade que luta para promover meios de inclusão social”, explica Lívia Borges. Há 13 anos, desde quando o filho, Álvaro Borges, nasceu com a síndrome, a assistente social se associou à Ser e hoje é sua coordenadora.

Peças teatrais em escolas, oficinas de capacitação para professores, oficinas nas maternidades para ensinar como dar a notícia aos pais da criança, de um modo mais positivo; são alguns instrumentos de luta. Para Lívia, a luta pela inclusão é uma luta pelo direito de viver plenamente, “conhecendo o mundo como ele é”.

Para a coordenadora, não há outro caminho para o desenvolvimento da pessoa com a síndrome além da inclusão social, que deve começar na escola.
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Fonte: A Tarde/Linear Clipping