Avaliar as condições de saúde, funcionalidade e incapacidade de idosos que residem em instituições de longa permanência, públicas ou filantrópicas, dos municípios de Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro (RJ) ão os objetivos de um dos projetos contemplados pelo Programa de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde Pública (Inova-ENSP). A pesquisa, coordenada pela chefe do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP, Inês Echenique Mattos, tem o objetivo de descrever o padrão de distribuição dos agravos de saúde dos idosos institucionalizados e utilizar a Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) para propor ações de prevenção e reabilitação.

Condições de saúde de idosos institucionalizados: uma proposta de avaliação de necessidades e utilização da classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde para planejamento de ações de prevenção e reabilitação é o título do projeto, que tem início previsto para a segunda quinzena de junho e reunirá alunos do mestrado acadêmico e do doutorado do Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente e do mestrado profissional em Vigilância em Saúde do Programa de Saúde Pública – este último, coordenado pela própria Inês e pela pesquisadora Silvana Granado.

Trabalhando com idosos há cerca de quatro anos, Inês Mattos relata que os idosos institucionalizados, em sua maioria, são portadores de deficiências funcionais ou mentais e se encontram abrigados em instituições de longa permanência por não possuírem familiares ou, mesmo tendo uma família, os parentes trabalham fora e não possuem recursos para pagar um cuidador. A ideia de trabalhar com esses idosos surgiu a partir de uma pesquisa desenvolvida por um aluno do mestrado profissional em Vigilância em Saúde do Programa de Saúde Pública, realizado em Mato Grosso do Sul, com o objetivo de levantar as características das pessoas que vivem nessas instituições.

“Estamos falando de uma situação muito preocupante, pois as condições dos idosos dentro dessas instituições não são favoráveis. Como o controle pela vigilância sanitária nem sempre é realizado de forma adequada, uma série de normas deixa de ser cumprida, impossibilitando a reversão da precariedade das condições oferecidas a essa clientela. Ao mesmo tempo, pesquisas demonstram que o número de idosos institucionalizados no Brasil vem crescendo, principalmente nas grandes capitais e em cidades de médio porte. Sem terem condições de se manter, os idosos acabam recorrendo a essas instituições”, explicou Inês.

Medidas preventivas poderiam amenizar grande parte dos problemas

Os dados preliminares da pesquisa revelam que grande parte dos problemas de saúde poderia ser amenizada por meio de medidas preventivas. Outro aspecto diz respeito ao gênero: na região Centro-Oeste há um predomínio de idosos do sexo masculino residindo nessas instituições, enquanto, nas regiões Sul e Sudeste, as mulheres idosas constituem a maioria. “Há certa peculiaridade em relação ao sexo entre essas regiões, mas ainda não sabemos por que isso acontece. Por conta dessa e de outras questões, resolvemos fazer um estudo mais ampliado sobre as condições de saúde dos idosos institucionalizados em diferentes localidades para avaliarmos os principais problemas de saúde e propormos medidas alternativas.”

Para racionalizar a pesquisa, Inês conta que, desde 2001, existe uma Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) criada pela Organização Mundial da Saúde e muito similar à Classificação Internacional de Doenças (CID). Seu objetivo é determinar a funcionalidade dos indivíduos, e ela contempla a maioria dos aspectos relacionados à saúde, à incapacidade funcional e ao ambiente. Essa classificação possibilita identificar os problemas de saúde e suas repercussões na funcionalidade. “Em relação aos idosos, a utilização do modelo conceitual da CIF evidencia a importância da reabilitação não apenas com o objetivo de restaurar a saúde, mas também para a sua otimização frente às deficiências progressivas.”

Portanto, a ideia do trabalho é fazer uma reclassificação das condições de
saúde levantadas por instrumentos tradicionalmente utilizados em avaliações geriátricas, com base nos códigos da CIF, para que os diferentes profissionais de saúde que lidam com a saúde do idoso possam trabalhar com uma linguagem unificada na avaliação da funcionalidade e na proposição das medidas de prevenção e/ou reabilitação mais adequadas para cada caso. Os locais trabalhados serão Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro (RJ).

“A região Centro-Oeste está passando por um processo de envelhecimento rápido, e achamos importante ter um núcleo de pesquisa que aborde esse tema naquele local. Escolhemos Juiz de Fora por se tratar de uma cidade de médio porte, como Campo Grande e Cuiabá, porém situada em outro contexto socioeconômico e ambiental, que poderia repercutir de forma diferente nas condições de saúde e vida desses idosos. No Rio de Janeiro, trabalharemos em Manguinhos, onde o projeto Teias-Escola Manguinhos está sendo implementado. O bairro conta com a maior instituição de longa permanência para idosos da cidade. Queremos observar diferentes realidades e dimensões socioculturais e ambientais para identificar, em cada local, os fatores que levam os idosos a ingressarem nessas instituições e os problemas de saúde que eles apresentam.”
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Fonte: Observatório Nacional do Idoso/ESNP