Joao Teimoso

por Carol Johnson, Calgary, Alberta, Canadá

Tradução: Luciene Codeço Coelho

Para mim é interessante ver como muitas pessoas falam sobre a teimosia de suas crianças como se isso fizesse parte do fato de terem síndrome de Down. Na realidade, em algumas situações, ser teimoso pode ser um traço positivo.

Às vezes ouvimos que o motivo de algumas pessoas se tornarem vencedoras em uma situação
foi porque…“Eu era teimoso e não deixava ninguém me obrigar a fazer o que eu não queria”. “Pensavam que eu ia entregar os pontos, mas eu era teimoso demais para desistir facilmente”.

Então, que comportamento teimoso é este que vemos entre alunos que tem sódrome de Down e
como encará-lo?

Vejo a teimosia como um resultado direto da falta de habilidade e/ou forma de se expressar para negociar uma posição.

Normalmente, tomamos uma atitude sobre algo que nos interessa, e, certo ou errado, nos atrelamos a ela, insistimos nesta atitude até que entendamos ou concordemos com o ponto de vista de outras pessoas.

Um aluno com síndrome de Down continua a fazer coisas de uma maneira específica porque ela é segura, conhecida e funcionou no passado. Quando tentamos mudar seu comportamento e introduzir novas coisas, ameaçamos sua segurança.

Alguns de nós estamos abertos à mudanças e aceitamos a mudança melhor do que outros. Isso também acontece com alunos com syndrome de Down.

Alguns de nós conseguimos defender o nosso lado da questão, outros podem ser persuasivos e convencer as pessoas do nosso ponto de vista sem ter que fazer mudanças – a outra pessoa que muda.

Alunos com síndrome de Down geralmente não lidam bem com isso. Normalmente a linguagem deles é mais limitada e eles podem não dispor da flexibilidade cognitiva necessária para se expresser, além de uma visão mais ampla do mundo para saírem vencedores de discussões. Dessa forma, eles parecem teimosos. Imagine só: se você estivesse em uma situação em que não entendesse o que estivesse se passando e as pessoas estivessem tentando que você
fizesse alguma coisa com a qual você não se sentisse seguro, o que faria?

Você resistiria, continuaria a fazer aquela coisa da forma como soubesse, seria visto como
teimoso. Como agir se você não tem habilidade verbal para partilhar seus pontos de vista? Como se comportar se a outra parte não lhe entendeu ou não se importou com o que você tinha a dizer? Daí, você seria punido ou censurado porque foi visto como teimoso. Como isso afetaria seu nível de cooperação da próxima vez?

Como você responderia a essas pessoas que “o levaram a fazer alguma coisa que você não entendeu, nem mesmo concordou? ” Você pode se tornar mais teimoso ou resistente. As pessoas, então, verão esta atitude como “rebeldia” ou um “problema”.

Elas entenderão que sua teimosia é alguma coisa que existe, independentemente de você ter uma visão diferente da mesma situação ou ser incapaz de comunicar, com sucesso, seu ponto de vista.

Como poderemos mudar este modelo?

Deixando de lado o mito da teimosia e vendo o comportamento teimoso como uma resistência. Resistência a alguma coisa nova, resistência a alguma coisa que não foi entendida, resistência a ter outros no controle, resistência a alguém em que eles podem não confiar ou entender.

A única maneira de ajudar alguém a tornar-se menos resistente é ajudá-lo a se sentir seguro bastante para tentar coisas novas e diferentes.

Quando as crianças são mais novas, não reagem muito bem à mudanças e se retraem.
À medida que crescem , usam estratégias que deram certo no passado: se retraindo, não olhando, fazendo beiço, gritando, se sentando ou se jogando no chão (comportamento de teimosia).

Quando o aluno se mostra muito teimoso, isso é sinal que este comportamento deve ter dado certo no passado; ao usar este repertório de estratégias o aluno estará se sentindo seguro. Os adultos são parte do problema.

Ensinamos às crianças o que devem fazer, para que paremos de pressioná-las ou para que as deixemos como querem. Algumas vezes, ficamos zangados.

*Quando ficamos zangados, as crianças se tornam mais resistentes por não entenderem o que está acontecendo e ficam, freqüentemente, nervosas também. Quantos de nós reagimos com raiva, se estivermos nervosos com uma situação? Quantos de nós ficaríamos menos “teimosos” se alguém nos obrigasse a fazer algo que não nos sentíssemos seguros?”*

Quando se deparar com um aluno que pareça teimoso, pense no seguinte:

1. Embora faça sentido para você, pode não fazer sentido para este aluno. Como poderá ajudá-lo a adquirir uma melhor compreensão sobre o que você está querendo? Lembre-se: apenas dizer o que é “bom” para eles, não ajuda. Você pode demonstrar, agir, de maneira que a sua solicitação tenha uma resposta positiva? Eles poderiam tentar fazer o que lhes é pedido em pequenas etapas? Você poderia achar um meio de esclarecer mais sobre sua solicitação, de uma maneira menos ameaçadora? Que espécie de linguagem você está usando?

2. Haveria um jeito de ajudar o aluno a usar outros meios de dizer… “não”, “espere”, “tenho medo disso”, “ o que você quer que eu faça?” ao invés do comportamento que é de teimosia?

3. Siga o velho adágio “Vença-os com mel”. Nenhum ser humano reagirá positivamente sob coerção. Em situações novas, use alguma coisa que os alunos já tenham experimentado e que tenham gostado; parta do que o aluno já conheça e construa a partir daí. Trabalhe uma experiência nova com alguma coisa que já é bem sucedida e apreciada pelo aluno. Use brincadeira, músicas, jogos, etc. para ajudar um aluno a lidar com novas experiências. Observar outra criança ser bem sucedida pode não funcionar pois alguns alunos não aprendem por observar os outros e então poderão não entender que eles também poderiam ter sucesso.

4. Temos que ter uma relação de confiança com alguém, para que possamos obter dele uma resposta positiva. Alguns alunos custam a chegar a este nível de confiança. Você não poderá ser o que pune, mas o que constrói uma relação de confiança com o aluno. Você não poderá impor alguns comportamentos e reforçar outros; esta inconsistência causará estresse; os
alunos poderão nunca se sentir suficientemente seguros o com você.

5. Quando você sentir que está ficando aborrecido, pare, sorria, caminhe, relaxe, conte até 10, etc. Solte a tensão e, depois tente outra vez…. Talvez de um modo diferente. Por vezes, os alunos se aproximarão justo por você ter se acalmado. Então reinicie o relacionamento de um modo que não seja ameaçador.

Algumas das melhores pessoas são bastante teimosas para insistir quando muitas outras desistem das crianças. Una-se às primeiras.

Seja teimoso (insistente) em relação à habilidade da criança para aprender e a ajude a se sentir segura o bastante para aventurar-se em um novo
território juntamente com você.

Fonte:

http://www.ndsccenter.org/resources/documents/stubborn.php
Stubborn is…as Stubborn Does
By Carol Johnson, Calgary, Alberta, Canada

It is interesting to me how many people talk about their child’s stubborn behavior as if it was part and parcel with having Down syndrome. It isn’t.

There are many people who are stubborn who do not have DS. In fact, in some situations, being stubborn is seen as a positive trait.

I have heard people say that the reason they came out as winners in a situation was because…

“I was stubborn and no one was going to push me around.”

“They thought I would cave, but I was too stubborn to give up easily.”

So, what is this stubborn behavior that we see with students who have DS and how can we think about it?

I see stubborn behavior as a direct result of lacking the skills and/or language to negotiate a position.

Often, we will take a stance on something we care about and, right or wrong, stick to that stance until we understand or agree with another’s view.

A student with DS will continue to do things in a specific way because it is safe, it is known and it has worked in the past. When we try to change their behavior, when we try to introduce new things, we threaten their “safe place.”

Some of us are open to change and will accept change far better than others. This is the same for students with DS.

Some of us are able to argue our side of the issue, some of us can be persuasive and bring people to our view and not have to change – the other person changes.

Students with DS cannot do this as well. They lack the language, the cognitive flexibility needed in verbal discourse and the larger world view to win many verbal arguments. So…they look stubborn.

Think about it. If you were in a situation where you did not understand what was going on around you and people were trying to get you to do something you were unsure of, what would you do?

You would resist, you would stay doing what you know, you would be seen as stubborn. What if you did not have the language skills to share your views, what if the other party did not understand you or did not care about what you had to say? Then, you were punished or censured because you were seen as stubborn. How would this affect your level of cooperation the next time?

How would you respond to these people who “made you do something you did not understand nor even agree with?” You may become even more stubborn or resistive. And, they, in turn would see this as “noncompliance” or as a “problem.”

They would respond in a way that assumes that your stubbornness is something that exists on its own; apart from you having a different view of the same situation or apart from your being unable to communicate your point of view successfully.

How can we change the pattern?
By letting go of the myth of stubbornness and seeing stubborn behavior as resistance. Resistance to something new, resistance to something that is not understood, resistance to having others be in control, resistance to someone they may not trust or understand. The only way to help anyone become less resistant is to help them to feel safe enough to try something new or different.

When children are young, they will not respond very well to changes and will withdraw. As they grow older, they will use strategies that have worked in the past…withdrawing, not looking, pouting, sitting, throwing themselves down (stubborn-looking behaviors).

The more stubborn a student looks, the more useful this behavior has been in the past; using this repertoire of strategies has allowed the student to remain in a safe place.

Adults are part of the problem.
We have taught children what they need to do so we will stop pushing or so we will leave them as they want to be. Then, sometimes, we become angry.

As we become angry, children resist further as they do not understand what is happening and are often upset with the situation as well. How many of us respond to anger if we are nervous about a situation?

How many of us would become less “stubborn” if someone demands that we do something that we are not sure about?

When faced with a student who appears to be stubborn, think about the following:

  1. Although this makes sense to you, it must not make sense to this student. How can you help the student gain a better understanding of what it is you are wanting? Remember, saying that it is “good” for them is not helpful. Can you show, act out, the positive outcome of the request? Can they try it in small steps? Can you find a way to make it clearer, less threatening? What kind of language are you using?
  2. Is there a way to help the student use other means to say… “no,” “wait,” “this is scary,” “you want me to do what?” other than the behavior that is being seen? Until a student has some way of communicating with others, the resistance will look like stubborn behavior.
  3. Follow the old adage “Win them over with honey.” Any human being will respond to positives over coercion. Always enter a new situation using something that the student likes from other situations, go from what the student already knows and build on it. Pair a new experience with something that is already successful and liked by the student. Use play, songs, games, etc. to help a student deal with new experiences. Watching another student have success may not work as some students do not learn from watching others so they may not understand that they too could have that success.
  4. You need to have a trusting relationship with anyone before they will try something new just because you told them to do it. Some students take a long time to reach that level of trust. You cannot be the “punisher” and build a trusting relationship with a student. You cannot coerce some behaviors and reinforce others; this inconsistency will cause stress; students may never feel safe enough with you to let go of those behaviors that help them feel safe.
  5. When you feel yourself becoming angry, stop, laugh, walk, relax, count, etc. Release the tension in the situation and then try again…maybe in a different way. Sometimes students will come around just because you have calmed down and re-entered the relationship in a way that is not threatening.

Some of the best people are just stubborn enough to hang in there when many others have given up on a child. So, join them.

Be stubborn about a child’s ability to learn and help him or her to feel safe enough to venture into new territory with you alongside.

Editor’s note: This article was originally printed in the Canadian Down Syndrome Society Quarterly in 1998. It is reprinted here with the author’s permission.