Essa publicação é resultado de um esforço colaborativo entre o SPW (Sexuality Policy Watch – Observatório de Sexualidade e Política) e o programa em Sexualidade e Desenvolvimento  do IDS (Institute for Development Studies, em português Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento, da Universidade de Sussex). Em 2004, Andrea Cornwall, em uma de suas passagens pelo Brasil, procurou-me para discutir, ainda informalmente, possibilidades de trabalho conjunto. Em setembro de 2005, participei do seminário Realising Sexual Rights (em português Realizando os Direitos Sexuais), em que foram apresentados os textos que compõem esse livro, originalmente chamado IDS Bulletin Sexuality Matters. Em 2006, com Andrea e Susie Jolly, assessoramos o Ministério de Relações Exteriores da Suécia na preparação de um seminário sobre Sexualidade, Desenvolvimento e Direitos Humanos (Estocolmo, abril de 2006). Os trabalhos então apresentados estão reunidos no livro Development with a Body (recentemente publicado pela Zed Books, Londres).

O programa em Sexualidade e Desenvolvimento do IDS está hoje consolidado. Em abril de 2008, promoveu uma excelente oficina de trabalho da qual participei e onde também estavam  presentes Dorothy Aken’ova (Nigéria), que é integrante do grupo consultivo do SPW, e Pinar Ilkkarakan (Turquia), nossa parceira e autora de um dos estudos de caso publicados em  SexPolitics – Reports from the Frontlines, publicação eletrônica que lançamos em novembro de 2007 (http://www.sxpolitics.org/frontlines). A qualidade e produtividade dessa parceria fazem com que eu tenha um imenso prazer em apresentar Questões de Sexualidade – Ensaios Transculturais à comunidade acadêmica e a pessoas e grupos envolvidos com a ação política no campo dos direitos sexuais no Brasil. Não cabe aqui examinar o conteúdo da publicação pois Andrea Cornwall e Susie Jolly fazem isso, com muita competência, no capítulo introdutório. Entretanto, quero sublinhar algumas características singulares da publicação e da iniciativa mais ampla de que ela faz parte.

A primeira delas é, sem dúvida, o perfil transcultural dos artigos. Mesmo nos dias atuais – quando os estudos e debates sobre sexualidade estão legitimados no país –, ainda é difícil  encontrar literatura sobre o tema, em língua portuguesa, que trate das experiências e dinâmicas políticas observadas em outros contextos culturais. Um segundo aspecto diz respeito à tradução ou traduções. Essa publicação foi simultaneamente traduzida para o árabe, mandarim, espanhol e francês, em parceria com o MULABI – Espaço Latino-Americano para Sexualidade e Direitos (Argentina), o Centro Africano de Primeiras Palavras 10  Recursos para Sexualidade (Nigéria), o Instituto para Sexualidade da Universidade do Povo (China) e o Instituto para Estudos da Mulher no Mundo Árabe, da Universidade Americana do Líbano. Como parte desse esforço de tradução sincrônica, os tradutores e tradutoras responsáveis pelo trabalho reuniram-se na Cidade do México (fevereiro de 2008) para discutir as complexidades e desafios da tarefa. Em razão disso, convidamos Jones de Freitas – que fez a tradução para o português – a compartilhar com vocês os aprendizados deste processo e os resultados do diálogo entre tradutores e tradutoras a respeito do desafio de escrever sobre gênero e sexualidade em línguas tão diversas.

Outra singularidade se refere à elaboração do projeto gráfico e da capa pela Metara Comunicação, que foi precedida por uma oficina de trabalho sobre sexualidade. A equipe que participou da oficina e elaborou o projeto, numa nota breve, reflete coletivamente sobre o significado dessa experiência (p. 15). Uma última observação. Adotamos na tradução e edição de Questões de Sexualidade – Ensaios Transculturais alguns acordos de estilo e linguagem que, nem sempre, coincidem com o original em inglês ou com as normas encontradas nos manuais de redação em português. Por exemplo, traduzimos safer sex e infecctious transmited diseases (ITSs) por, respectivamente,  sexo seguro e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), que são expressões de uso mais corrente no Brasil. Por outro lado, por opção de estilo, seguimos a norma inglesa de grafar todas as siglas em caixa alta. Sobretudo, fizemos um investimento sistemático no que diz respeito à “linguagem de gênero”. As complicações e implicações dessa opção editorial são examinadas tanto no texto da assistente de projetos do SPW Marina Maria (p. 13)
quanto no de Jones de Freitas (p. 11).

Boa leitura!
Sonia Corrêa

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