(Foto: Valdean - Agência Imagens do Povo)

Atividade faz parte das comemorações dos 10 anos. Lideranças de vários estados estão reunidos no Rio para debater desafios dos direitos humanos no Brasil.

Cerca de cem lideranças de movimentos sociais e organizações de direitos humanos de todo o país estão no Rio de Janeiro para uma roda de conversa organizada pela Justiça Global. A reunião, que acontece neste momento no bairro de Santa Teresa, é parte das comemorações de dez anos de fundação da JG.

“São 10 anos de muita luta e também muito sofrimento na resistência conjunta com defensores de direitos humanos e  lutadores sociais do Brasil”, disse a diretora Sandra Carvalho na fala de abertura do debate. “Mas são também dez anos de conquistas, e para nós é um orgulho muito grande ver alguns de nossos parceiros, de nossos companheiros nessa dura caminhada durante a última década.”

A atividade está dividida em duas etapas. Em um primeiro momento, a economista Sandra Quintela, do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), e o membro da coordenação nacional do MST, Gilmar Mauro, provocaram um debate acerca das inúmeras violações aos direitos econômicos, sociais e culturais no Brasil.

“Estamos em um momento histórico em que se instala de maneira hegemônica na América Latina políticas direcionadas exclusivamente para mega-projetos industriais e de infra-estrutura, em nome de um suposto ‘progresso’, de um suposto desenvolvimento”, disse Sandra Quintela, lembrando o IIRSA (Iniciativa para Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana) e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como programas similares, um a nível continental e outro a nível nacional. “Em nome dessa política, os direitos de populações ribeirinhas, de quilombolas, de povos indígenas, e de outras comunidades tradicionais estão sendo sistematicamente violados.”

Gilmar Mauro apontou alguns desafios que se apresentam para a esquerda na América Latina. “Diante do quadro atual, as organizações e os movimentos estão obrigados a repensar suas formas de militância”, disse. “Fomos nós mesmos que em algum momento separamos a militância regional e a atuação política institucional, como se a primeira fosse de responsabilidade  exclusiva dos movimentos sociais e a segunda, da estrutura partidária. É fundamental que as organizações se aproximem cada vez mais dos movimentos locais”.

Em um segundo momento, o debate será em torno do tema da violência institucional e da segurança pública. O militante do movimento negro na Bahia, Hamilton Borges, um dos articuladores da campanha Reaja ou Será Morto, dará o pontapé inicial nas discussões junto com a advogada Fernanda Vieira, do Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola.

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