Loucos pela escola. O discurso do analista e a invenção de uma escola em movimento, por Rita de Cássia de Araújo Almeida. Universidade Federal de Juiz de Fora.

RESUMO/ABSTRACT

Esta dissertação começa com a discussão de duas propostas político-filosóficas bastante atuais. Uma trata do desmonte dos manicômios como aparato de agenciamento social da loucura – a Reforma Psiquiátrica Brasileira – e a invenção de uma nova proposta institucional balizada pelos CAPS; outra trata das propostas que viabilizam uma maior abertura da escola para as diferenças – as Políticas de Educação Inclusiva. Se os muros do hospício desmoronam e as portas da escola se abrem; então a escola se vê diante da oportunidade de acolher a diferença da loucura e de se deixar interpelar por essa experiência. Mas como pensar uma escola que perceba tal experiência como enriquecedora para o processo educativo e não como um peso a mais ou alguma coisa que precise ser apenas tolerada? Para tratar dessa questão teremos a psicanálise como parceira. Faremos uso de seu arcabouço teórico; de seu estilo – que permite entrelaçar a teoria com recortes de experiência – e principalmente; de sua posição discursiva; para inventar o que pretende ser a nossa contribuição: uma escola em movimento. O malestar dos laços sociais; discutido por Freud; retorna na teoria dos discursos de Lacan que os concebe como formas de fazer laços; laços que; como veremos; sempre remetem a um impossível; a alguma espécie de fracasso. O discurso do mestre; o discurso da histérica; o discurso universitário; o discurso do analista e o discurso capitalista; são discursos presentes em todas as instituições inventadas pelo homem; incluindo a escola. Nossa aposta é a de que o discurso do analista; e sua intenção de promover o fracasso a agente do discurso; seja capaz de promover um dinamismo interessante no movimento discursivo da escola; fazendo dela um lugar mais aberto às diferenças; a isso que desmonta e desconstrói o instituído. Uma escola em movimento é uma escola interpelada pela loucura e atravessada pelo discurso do analista; sendo assim; não pretende ser a solução dos mal-estares da educação; muito pelo contrário; sua inovação está exatamente em não ter a pretensão se livrar de tais mal-estares; mas sim transformá-los em motor e energia para o processo educativo.

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