Criança em canavial

Por Jeane Freitas
da Adital

Recentemente, o Mutirão Pastoral contra o Trabalho Escravo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou o CD Um grito pela vida que, através da solidariedade de vários artistas populares, utiliza a música para chamar atenção para um dos problemas mais sérios que afeta o país: a realidade do trabalho escravo.A realidade escravagista no país é refletida em 18 faixas do CD que relatam histórias de vida de trabalhadores e trabalhadoras que enfrentam essa dura realidade e que chamam a atenção para as pessoas que não conhecem o assunto.

Os (as) interessados (as) em adquirir poderá solicitar pelo email: semescravos.cnbb@gmail.com pelo custo de R$ 15,00, mais o valor do frete. O valor arrecadado será revertido para projetos sociais que apoiam essa iniciativa e que lutam pela erradicação do trabalho escravo.

Segundo Padre Ari Antonio dos Reis, assessor das pastorais sociais da CNBB e secretário do Mutirão Pastoral para superação do trabalho escravo, a ideia do CD é fruto de uma parceria entre a CNBB e a organização estadunidense Catholic Relief Service (CRS). “Essa parceria rendeu a realização de várias formações em diversos estados do país sobre a temática e a partir daí nasceu o CD”, explicou.

Ele afirmou que o tema Um grito pela vida também faz sintonia com o processo de formação que foi desenvolvido. “O sentido do grito expressa um apelo pela vida das pessoas que são vítimas do trabalho escravo”, disse.

“O CD e o blog que estamos divulgando são instrumentos de conscientização e que auxiliam no repasse da informação sobre essa realidade, porém, muito ainda há de ser feito”, relatou Padre Ari.

Violação e Liberdade

De acordo com informações da Comissão de Pastoral da Terra (CPT) ainda existem no Brasil aproximadamente 25 mil trabalhadores e trabalhadoras com os direitos violados, atuando de forma escravizada.

Em todo o Brasil, cerca de 21 estados possuem registro de trabalho escravo. Somente no Norte do país, os estados do Pará, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins, aparecem como regiões de maior incidência da exploração do trabalho humano em condições análogas à escravidão.

O estado do Pará continua liderando os casos. Em 2010, foram registradas 63 denúncias fiscalizadas e 562 pessoas foram resgatadas de situações de trabalho escravo no estado. Em 2008, foram 811 pessoas. Entre 2003 e 2010, as principais ocorrências foram registradas em São Félix do Xingu, Marabá, Rondon do Pará, Dom Eliseu e Pacajá.

Em alguns casos foi possível fazer o resgate de trabalhadores, como o caso do município de Rio Negrinho, 250 km de Florianópolis (SC), região Sul do Brasil, onde o Ministério do Trabalho e Emprego encontrou 23 pessoas atuando em uma fazenda de fumo. Entre as pessoas estavam 11 crianças e adolescentes, com idades entre 12 e 15 anos.

Para notícias ou denúncias sobre trabalho escravo, acessar o link: http://semescravos.ning.com/.

Fonte: Adital