Detalhe de bailarino cadeirante e outra bailarina, em foto saturada em fundo preto e figuras em vermelho.Por Leonardo OliveiraNo encerramento do Seminário Cidade Acessível, Cidade de Todos, ocorrido nesta terça-feira (5/7) à noite, no Auditório Ana Terra da Câmara Municipal, ocorreu a atividade cultural Dança Contemporânea Integrada, com a participação de pessoas com e sem deficiência física. Após a apresentação de três dançarinas, houve um debate entre representantes de órgãos e entidades ligadas à inclusão social sobre o aspecto cultural para pessoas com deficiência.

O trabalho e a pesquisa na área da dança, desenvolvido na Inglaterra, fizeram com que a dançarina Carla Vendramin estudasse por dois anos na cidade de Londres. Ela participou de cursos para pessoas com deficiência para que pudessem desenvolver a técnica de dançar. Segundo ela, naquele país existem diversos grupos de dança. Carla destaca que, neste tipo de atividade, todos têm os mesmos valor e peso na apresentação. “Esse trabalho amplia nossa capacidade cultural”, ressalta.
Carla avalia, ainda, que se fala bastante em acessibilidade em termos arquitetônicos. Ela observa que estes problemas são “graves e devem ser resolvidos”, mas destaca que as pessoas devem entender também que acessibilidade precisa de “atitude e mudança de cultura num ambiente igual para todos”. A dançarina defende que as pessoas não deficientes também devem participar da integração pela dança. “Deve se ter uma atitude de duas vias, tanto de quem tem como de quem não tem deficiência”, relata, ressaltando a importância de dar oportunidade para que pessoas diferentes ocupem os mesmos espaços.

Junto com Carla, apresentaram a dança as bailarinas Mickaella Dantas, do Rio Grande do Norte, e Julie Cleves, do Reino Unido. Mickaella não tem uma das pernas, enquanto Julie é cadeirante.

Convenção
A especialista em educação especial e educação inclusiva Vivian Missaglia aproveitou o tema para destacar partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, tratado que foi adotado pela ONU em 2006 e instituído no Brasil, em 2009, por decreto. O texto destaca que é preciso “promover e proteger os direitos e a dignidade das pessoas com deficiência” e tem uma visão inclusiva para que as pessoas possam evoluir. Dos 40 artigos do documento, ela destacou aqueles que falam sobre cultura, lazer e esporte.
“A convenção diz que é garantida a participação cultural”, diz Vivian, que lembrou outros artigos que garantem, por exemplo: acesso a materiais culturais; possibilidade de desfrutar da televisão; e medidas para que pessoas com deficiência tenham acesso à salas de teatro e cinema. Outra questão defendida no artigo é a propriedade intelectual e a garantia da identidade cultural linguístíca, como o braile e a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
O debate contou com a coordenação da presidente da Casa, vereadora Sofia Cavedon (PT), e do assessoramento do presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdepa), Dilceu dos Santos Flores Júnior.