Desenho infantil com varias criancas em frente a escola
Desenho infantil com varias criancas em frente a escola

Diretora pedagógica da APAE de Cotia, também defende a medida e afirma que na escola regular tem estímulos que faltam na escola especial.

Por Leandro Conceição

Pais de alunos da escola municipal para pessoas com deficiência Edmundo Campanha Burjato, no Jardim Cipava, em Osasco, reclamam de mudanças promovidas pela Secretaria de Educação.

Estudantes da unidade, que atende portadores de deficiência intelectual e do desenvolvimento, foram transferidos para escolas públicas regulares. Há dois anos, segundo a secretaria, a instituição deixou de receber novas matrículas, para que os alunos sejam encaminhados diretamente a escolas regulares.

As ações seguem determinação do Ministério da Educação e fazem parte do Programa de Educação Inclusiva, implantado no município desde 2005.

Pais de alunos, que temem o fechamento da unidade, protestam. “Temo que meu filho tenha de ir para uma escola regular. Se para os alunos em geral já é complicado, imagina para os excepcionais”, questiona a dona de casa Sandra Maria, mãe de um rapaz de 18 anos que estuda na unidade há 11.

Dois netos, de 26 e 24 anos, do aposentado Dinarte Ribeiro de Oliveira têm deficiência intelectual e estudam na instituição. “A escola é muito boa. Eles adoram aqui e não têm condições de ir para uma escola regular.”

A Secretaria de Educação osasquense afirma que são mantidos na Edmundo Campanha Burjato apenas alunos com idade muito superior ao ensino fundamental, a maioria na faixa de 30 anos, mas não divulgou o número de alunos matriculados na unidade.

Secretária e APAE defendem inclusão

A secretária de Educação de Osasco, Mazé Favarão, diz que a solução adotada na escola Edmundo Burjato é recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). “A experiência mostra que a política especial segregadora não funciona. A educação deve ser inclusiva e não segregadora.”

Diretora pedagógica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cotia, Sônia Cristina Esplendor dos Santos também defende a medida. “Na escola regular eles têm estímulos que às vezes faltam na escola especial. E a inclusão traz ganhos também às outras crianças, para saberem que existem pessoas diferentes.”

Porém, falta de estrutura física da maioria das escolas, para garantir a acessibilidade, e o alto número de alunos por sala dificultam a inclusão.  “Mas está na hora de começar as mudanças”, defende a diretora da Apae.

1,5 mil alunos
A Secretaria de Educação de Osasco diz que por meio do Programa de Educação Inclusiva (PEI), implantado em 2005, já foram reformadas dezenas de escolas para garantir a acessibilidade e que professores e funcionários passaram por treinamento. A rede municipal de ensino osasquense tem cerca de 1,5 mil alunos com algum tipo de deficiência.
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Fonte: Visão Oeste