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Os programas de transferência de renda precisam transformar a redução das desigualdades sociais em seu objetivo primário, em vez de tratar a questão somente como efeito secundário de seus benefícios, afirmou nesta sexta-feira (6) a administradora-geral do PNUD, Helen Clark, durante a abertura do 4º Fórum Ministerial para o Desenvolvimento na América Latina, realizado na sede da ONU, em Nova York.

Além de Clark, participaram do evento – que termina neste sábado – mais de 30 ministros e autoridades de assuntos sociais de 16 países latino-americanos, assim como o diretor regional do PNUD para América Latina e Caribe, Heraldo Muñoz, o representante permanente adjunto da Espanha na ONU, Román Oyarzun, e o empresário mexicano Carlos Slim, que participou de uma sessão sobre os desafios de desenvolvimento da região a partir de uma visão do setor privado.

Em sua intervenção, a administradora-geral do PNUD lembrou que a América Latina e o Caribe se recuperaram rapidamente da crise graças à adoção de políticas contracíclicas – quando os países gastam quando deveriam poupar, e vice-versa. “No entanto, apesar disso e da forte performance econômica da região na última década, níveis altos e persistentes de desigualdade continuam a ser um grande desafio”, afirmou Helen Clark.

Ela advertiu que, embora o crescimento econômico seja importante para o desenvolvimento no longo prazo, não se traduz automaticamente em redução da pobreza e desenvolvimento humano. Helen Clark lembrou de estudos que indicam que países com grande polarização de renda e desigualdade são mais propensos a terem conflitos sociais, têm competitividade menor e política fiscal menos efetiva.

Apesar disso, a administradora-geral do PNUD vê sinais positivos na região da América Latina e do Caribe. Para ela, tão importante quanto elaborar programas de transferência de renda para beneficiar os mais pobres e vulneráveis é estabelecer como objetivo principal dessas ações a redução das desigualdades nos países da região.

“É preciso também desenhar políticas efetivas que consigam distribuir o conhecimento adquirido no mundo”, ressaltou Helen Clark, abordando também o papel dos países de renda média no alcance dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) e lembrando que, embora eles compartilhem características comuns, trata-se de um grupo diversificado.

Mais emprego, menos desigualdade

Já o empresário mexicano Carlos Slim destacou que a melhor forma de reduzir as disparidades é investir no capital humano e na educação. “Fazemos parte de uma civilização generosa, pois não se sustenta mais a exploração do homem pelo homem e a destruição da natureza, mas sim a capacidade de se incorporar à economia moderna”, afirmou.

Segundo ele, o setor privado pode ajudar o estado a reduzir essas diferenças, assumindo atividades que antes ficavam a cargo dos governos. “Isso pode ser feito através das parcerias público-privadas, nas quais serviços públicos são financiados com dinheiro privado”, explica. Setores como educação, saúde e energia seriam alguns dos beneficiados por essas alianças, por meio da geração de empregos decentes.

“Vai ser preciso conduzir os trabalhadores das áreas de trabalho tradicionais para as novas fontes de emprego, em setores como tecnologia da informação e cultura digital, saúde – no cuidado aos idosos –, educação, entretenimento e construção de infraestrutura”, ressalta Slim. “Ou ficamos parados ou nos incorporamos ao desenvolvimento”, concluiu.

Por fim, o diretor regional do PNUD para América Latina e Caribe, Heraldo Muñoz, afirmou que a situação das desigualdades na região é tão grave que o Uruguai, país mais igualitário, é mais desigual que Portugal, a nação com maiores índices de disparidade na Europa.

“Deve haver a preocupação de articular as políticas econômicas e sociais. Não basta enfrentar a pobreza, tem que combater as desigualdades de gênero, étnicas e territoriais”, acrescentou.
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Fonte: PNUD