Braços e mãos de vários tons de pele segundando uns nos outros, entrelaçando-se
Braços e mãos de vários tons de pele segundando uns nos outros, entrelaçando-se

De escolher os governantes ao poder do controle social, somos nós, ativistas da sociedade civil, que no cômputo geral comandamos em todas as áreas e setores. De governados a governantes, misturamos tecnologia ,comunicação e prática para construir, transformar e promover justiça.

Trabalhamos com passos  firmes e fortes, procuramos caminhos, e, entre erros e acertos, avançamos por estradas ainda sem acessibilidade, mas em obras que a sociedade civil com seu poder maior  exigiu que fossem feitas. Nossas estradas de degraus e pedras que ainda levam a escolas excludentes e a espaços segregadores.

Por falar em estrada, cabe a cada um tirar as pedras e quebrar os degraus para que rampas sejam construídas, para que os espaços sejam disponibilizados e ruas sejam pavimentadas. Por falar em estradas, as pedras que lá se encontram representam os que se omitem e assim permitem que seres humanos sigam trancafiados em espaços invisíveis e sem chaves, onde a regra é a manuntenção do atual status quo. Sobre as escolas, o que dizer diante da vergonha de alunos com paralisia cerebral alijados da sociedade, e, em relação a isso, penso, pensem,pensem…por que também precisamos agir.

Somos a sociedade permissiva, amantes da democracia , que na união dos pontinhos nem sempre relaciona a tortura de ontem a de hoje e, por isso mesmo, ao não se mobilizar, releva e se omite diante de crimes lesa-humanidade.

Somos a sociedade permissiva que muitas vezes se cala diante de violações dos direitos humanos, da violência contra a mulher ,da prostituição infantil, do trabalho escravo, da falta de segurança alimentar, dos inúmeras assassinatos de jovens negros, dos crimes cometidos na ditadura,da discriminação por orientação sexual, da intolerância religiosa,da discriminação de 25.000.000 de pessoas com deficiência, e diante de tantas outras coisas.

Avançamos, mas não o bastante, e não são suficientes ações de governo sem controle social efetivo. Se manifestam alguns ou mesmo muitos, mas precisamos mesmo de tod@s, e que se manifestem nas diversas formas de mobilização e comunicação por que mesmo precisamos mesmo de tod@s.

Se a vida é breve e é mutirão, nada mais belo do que viver a cada dia tendo no outro espelho, e , nas auto críticas diárias, ter a certeza de que podemos e que mudar é possível e necessário. Mudar, transformar a si mesmo e levar o mundo junto para esse caminho sem volta e sem fim, de indignação diante das injustiças, de construção, reestruturação e direito inerente à vida, que exige mudança de paradigma, e, sobretudo, vontade,esperança e fé na humanidade.

Por que tudo depende da semente plantada, dos sonhos e projetos, do cultivo de gente que não se cala,não se vende e não se rende. Avançamos e muito, mas é preciso mais e mais, é preciso fazer acontecer em mutirão, conscientizar “gentes” de todos as cores e cantos, é preciso seguir em frente , com vontade, certeza e coragem de fazer acontecer .Colaborar, cobrar e exigir do poder público  com a crença inquestionável de que junt@s podemos tudo,podemos tanto quanto fizermos. A garantia dos direitos humanos depende de cada um de nós!

Claudia Grabois