Três participantes do BBB 10

Há alguns anos um comercial de TV chamou a minha atenção e desde então passou a ocupar lugar especial entre meus favoritos. Com o slogan “Ser diferente é normal”, a campanha mostrava uma menina, portadora da síndrome de down, dançando pela casa ao som de Elvis.

Se não me engano no ano passado esse mesmo comercial voltou a ser veiculado. A questão é que, de forma simples e objetiva, essa campanha conseguiu atingir seu objetivo. Chamou a atenção de muitos telespectadores, que se contagiaram com a alegria transmitida pela aquela menininha, e levantou a ideia de que as diferenças existem, mas isso não serve de empecilho para dividirmos um mesmo espaço.

Agora se me permitem ser mais clichê, desde que o mundo é mundo as pessoas lutam contra o preconceito. Índios, negros, judeus, mulheres, deficientes, classes menos favorecidas, homossexuais, todos experimentaram a dor que esse sentimento pode causar. Pessoas “condenadas” por causa da cor da pele, sua origem, genética, limitações, herança e preferências. E infelizmente sempre haverá alguém que se julgue melhor do que o outro, independente de qual seja a sua verdade.

Quando pensamos em todo esse histórico, agradecemos pelo fato de que as coisas hoje em dia fluem melhor. A sociedade está um pouco mais tolerante e se ainda há preconceito, e ninguém duvida disso, o mesmo costuma se apresentar camuflado.

A lei passou a valer mais. Preconceito racial dá cadeia, minha gente! Temos cotas nas universidades para afros-descendentes e pessoas de baixa renda. Com isso o número de universitários aumentou e, consequentemente o de pessoas no mercado de trabalho.

Os homossexuais fizeram valer aquela expressão “saíram do armário”, e foram para as ruas. Hoje tem parada gay em vários lugares, a cada dia novos casais do mesmo sexo se encontram, casam, adotam filhos, constroem uma família. Agora o leitor me pergunta onde eu quero chegar com esse papo. Ao BBB 10, claro.

Considerada a mais diversificada da história do Big Brother Brasil, a décima edição do programa tem dado muito que falar graças ao seu elenco. Não porque conta apenas com mulheres lindíssimas, homens sarados ou vilões de dar medo. Mas por ser o primeiro a ter um grupo de homossexuais declarados, sendo dois homens e uma mulher.

Muitas dessas especulações em torno do programa se dão por conta da convivência entre esse trio com o resto da casa. O próprio apresentador já falou a respeito, dizendo como é bacana ver a forma que os brothers agem diante das suas diferenças.

E agora que já entrei na minha linha de pensamento, sou obrigada a demonstrar um pouco de descontentamento com a forma que estão levando esse BBB. Não que eu tenha preconceito algum, muito pelo contrário. Como dizia o Roger do Ultraje a Rigor: “eu tenho amigo homem, tenho amigo gay…”, e todos têm a mesma importância em minha vida.

O que eu acho chato é se valer da condição sexual das pessoas, ou de suas características pessoais, para esse fundamento. Gerar polêmica, assunto, audiência. A sociedade lutou tanto para derrubar o preconceito, para isso?

Voltando ao BBB, em algo eu concordo. Nunca se viu tanta diversidade em um único grupo. Em contrapartida, nunca se levantou tanto a questão da diferença. Dessa vez as limitações e “neuras” de cada um estão mais em evidência.

Bons exemplos disso são a suposta não aceitação de seu próprio biotipo, partindo da Elenita. E o machismo exagerado de Marcelo Dourado. Ambos os casos já foram alvos de brigas e questionamentos. Ela, apontada como uma “neurótica complexada”. Já ele, um “ogro domesticado”.

Gays, lésbicas, simpatizantes, coloridos, machões, afins, não importa. Trata-se de pessoas, homens e mulheres que compartilham dos mesmos sentimentos. Medos, anseios, sonhos, desejos, angústias, defeitos e qualidades. A opção sexual não interfere em seu caráter. Assim como o porte físico, cor da pele, religiosidade, genética e tantos outros fatores presentes em cada um de nós.

Em um grupo de amigos é comum haver diferenças. Umas gritantes, outras nem tanto, mas elas existem. Ser diferente é normal! É isso que faz da vida algo interessante. Já pensou como seria estranho se todos no mundo fossem iguais? O que teríamos para descobrir, conhecer, dividir, repassar…

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Tatiana Bruzzi,Natelinha

Fonte: Batalha do Ibope

http://batalhadoibopee.wordpress.com/2010/02/13/olhar-tv-ser-diferente-e-normal/

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