A Hora e a Vez da Família em uma Sociedade Inclusiva

quarta-feira, abril 30, 2008
Ilustração de carta simbolizando o e-mail.

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SUMÁRIO

PAIS E FAMILIARES, É HORA DE CONVERSAR SOBRE ISSO!

HORA DE IR À ESCOLA

A FASE DE ESCOLARIZAÇÃO

-Escolas grandes ou pequenas?

-Escolas inclusivas ou especializadas?

QUAL O MELHOR MÉTODO DE ENSINO?

COMO ORGANIZAR AS CLASSES?

-Como se realiza o atendimento educacional especializado para os alunos com deficiência?

ESCOLA COM DISCIPLINA MAIS RÍGIDA OU MAIS LIBERAL? GRATUITA OU PAGA?

PARA SABER SE UMA ESCOLA É INCLUSIVA

-A escola tem os equipamentos e recursos de apoio necessários?

-Além desses recursos específicos a escola de seu filho atende às condições abaixo?

É RECOMENDÁVEL QUE

HORA DE CONVERSAR COM O MÉDICO

INICIANDO O PROCESSO DE REABILITAÇÃO

-A relação entre pais e profissionais
HORA DE PARTICIPAR DA CULTURA, DO ESPORTE E DO LAZER
HORA DE DESENVOLVER A VIDA SOCIAL
HORA DE FALAR SOBRE DIREITOS HUMANOS E APOIO GOVERNAMENTAL
PAIS E FAMILIARES, VOCÊS NÃO ESTÃO SOZINHOS!
ATENÇÃO, PAIS!
FINALIZANDO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INICIANDO NOSSA CONVERSA…

FILHOS COM DEFICIÊNCIA: ESCOLA? REABILITAÇÃO? TRABALHO? ESPORTE? LAZER?

PAIS E FAMILIARES, É HORA DE CONVERSAR SOBRE ISSO!

Esta cartilha foi escrita para orientar os pais nas questões relativas às necessidades especiais de seu filho com deficiência, assumindo uma atitude ativa na direção da própria vida e da vida de seus filhos, participando das escolhas e decisões, especialmente quanto ao processo educacional.

Esperamos, assim, estar contribuindo para a construção da cidadania das crianças com deficiência e de suas famílias.

Você que é pai ou mãe de uma criança com deficiência já deve ter ouvido falar em educação inclusiva, inclusão social ou sociedade inclusiva.

O que isso vem a ser, exatamente, e o que tem a ver com

seu papel de pai ou mãe?

A idéia de uma sociedade inclusiva nasceu da união de forças de pessoas, no mundo todo.

Na área da atenção às pessoas com deficiência, elas próprias, seus amigos e familiares tiveram um papel fundamental, organizando grupos para cobrar da sociedade a garantia

de seus direitos. Esses direitos referem-se à educação, à saúde, ao trabalho, ao esporte e ao lazer.

Representantes desses grupos participaram ativamente do processo da formulação da Constituição de 1.988 e isso fez com que o Brasil fosse um dos países com uma legislação,

reconhecidamente mais avançada, na área de atenção às pessoas com deficiência.

No entanto, o desafio é transferir esses direitos, do papel para a vida diária dessas pessoas. Trata-se de construir prédios que facilitem o ir e vir de todos, escolas capacitadas para receber alunos com deficiência, serviços de saúde com profissionais para atender essas pessoas. Tudo isso deve ocorrer ao mesmo tempo em que se desenvolvem ações para prevenir as deficiências. O mercado de trabalho, também deve se abrir aos profissionais

com deficiência, entre outras medidas.

Em uma sociedade inclusiva, as diferenças sociais, culturais e individuais são utilizadas para enriquecer as interações e a aprendizagem entre os seres humanos. Trata-se de uma

mudança profunda no comportamento e na atitude das pessoas. No caso específico das pessoas com deficiência, promover a compreensão da diversidade é a forma mais coerente de favorecer a inclusão social e a aprendizagem dessas pessoas.

Mas, para mudar essa atitude é necessário o envolvimento direto das famílias e que esse processo de mudança seja iniciado por elas, uma vez que a formação do cidadão começa em casa. É na família que são desenvolvidos valores, hábitos e idéias sobre as coisas e o mundo.

É na família que aprendemos a nos relacionar com os outros. Portanto, a construção dessa sociedade inclusiva começa nas famílias. Os pais e as próprias pessoas com deficiência são

seus principais agente
s.

Entretanto, ainda hoje, a maioria da nossa população não está acostumada a participar ativamente de reuniões em igrejas, escolas e outras associações da comunidade. Isso faz

com que as pessoas se isolem e muitos assuntos deixem de ser discutidos. No caso da chegada de uma criança com deficiência, a falta de informações da família é ainda maior.

Muitos pais não sabem como agir nem decidir o que é melhor para os filhos, deixando para médicos, professores, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas essa responsabilidade.

Assim, numa sociedade inclusiva, a relação dos profissionais com os familiares deve ser de cooperação, juntos na direção do atendimento às necessidades especiais da criança. Os

objetivos a serem alcançados e as decisões a serem tomadas devem ser discutidos entre todos os envolvidos. Cabe aos profissionais esclarecer todos os passos dos atendimentos

que vão ser realizados e o que vai acontecer. A decisão dos familiares deve estar baseada em informações dadas por esses profissionais.

Uma outra tarefa de grande importância dos pais é a escolha da escola, de como desejam que seus filhos sejam educados, devendo respeitar os valores e as crenças da família.

Para se construir uma sociedade inclusiva é fundamental que as famílias tenham autonomia para cuidar das questões relacionadas às necessidades especiais de seus filhos. Em uma

sociedade inclusiva, as famílias de pessoas com deficiência devem estar presentes em todos os momentos, participar das decisões, fazer valer os seus direitos e lutar por melhores

condições de vida para todos.

HORA DE IR À ESCOLA

A escola tem um papel muito importante na vida da criança e do jovem. Ao entrar na escola, eles têm a oportunidade de conviver e de se relacionar com diferentes pessoas, aprendendo a perceber que todas têm características próprias, que nenhuma é igual a outra. Dessa forma, ela vai passar por muitas experiências novas e, assim, vai agir, reagir, mudar sua forma de pensar, criar um jeito próprio de se relacionar com o mundo.

A criança com deficiência deve freqüentar a creche comum.

Por isso, é fundamental que a escolha da escola seja feita levando-se em consideração que ela também irá contribuir na educação e formação de seu filho.

Não espere seu filho completar sete anos de idade. A procura por escola deve ter início na educação infantil, como para toda e qualquer criança. Procure na sua comunidade uma escola de educação infantil comum.

A organização da educação infantil pode variar, apresentando-se de formas diferentes nos muitos municípios e estados do Brasil. No entanto, não importa o nome que esses espaços apresentam. O que importa é que eles estejam adequados à faixa etária das crianças, tanto do ponto de vista do espaço físico, como da proposta pedagógica. Exemplificando, podemos dizer que, em alguns estados, as crianças são atendidas em creche, associação, centro infantil, pré-escola ou centro de convivência. O ingresso da criança na escola, na educação infantil (creche e pré-escola) é de fundamental importância, por todos os aspectos físicos, sociais, emocionais e psicológicos, etapa ótima do desenvolvimento, que servirá de base para toda a sua vida futura.

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A FASE DE ESCOLARIZAÇÃO

Esse momento também pode gerar aflição e angústia nos pais. Afinal, o que é melhor?

Vamos examinar alguns aspectos.

Escolas grandes ou pequenas?

Os pais, mais que ninguém, conhecem e sabem o que mais ajudará no desenvolvimento de seus filhos, para que eles cresçam confiantes e felizes. Crianças tímidas se sentirão mais

confortáveis em escolas pequenas, onde todos se conhecem pelo nome. Porém, ingressar numa escola grande pode ser um desafio e um estímulo para que elas aprendam a se relacionar em ambientes desse tipo. Cada caso merece uma solução.

Escolas inclusivas ou especializadas?

Atualmente, há uma tendência mundial de reconhecer os benefícios que uma escola inclusiva traz para todos os alunos. Nessas escolas, as crianças aprendem umas com as outras. Crianças sem deficiência aprendem a reconhecer e valorizar as

diferenças entre seus colegas.

Crianças com deficiência aprendem a conviver e a lidar com a deficiência em um ambiente novo, fora do círculo familiar ao qual estão acostumadas.

Essa convivência vai trazer muitos benefícios para seu futuro, pois a escola, como um recurso da comunidade, representa a sociedade tal como ela é.

Uma escola inclusiva se caracteriza por aceitar, respeitar e valorizar alunos com diferentes características: meninos e meninas, altos e baixos, gordos e magros, pobres e ricos, negro
s, brancos, índios, cegos, surdos, em cadeira de rodas, usando lupa, usando calçado ortopédico, usando aparelho no ouvido, com doença crônica, católicos, protestantes, evangélicos e outros.

É uma escola construída sob o princípio da educação como direito de todos os cidadãos. É um objetivo a ser alcançado pela luta por uma escola pública gratuita e de qualidade.

Desta forma, a escola inclusiva atende a população nas faixas de idade próprias de cada etapa: educação infantil, educação fundamental, ensino médio e universitário.

Uma escola inclusiva deve garantir, também, condições para que as crianças possam se locomover em todos os ambientes, providenciando a construção de rampas ou elevadores para acesso, inclusive aos pisos superiores, de banheiros adaptados para acomodação de cadeiras de rodas, colocação de corrimãos,

instalação de piso antiderrapante, sinalização para alunos com baixa visão e para alunos surdos.

Assim todos os alunos terão condições de freqüentar a totalidade das aulas. Devemos lembrar que a Constituição de 1988 assegura igualdade de condições de acesso e permanência

no sistema educacional para todos.

QUAL O MELHOR MÉTODO DE ENSINO?

Não se pode aceitar que uma criança com deficiência seja simplesmente colocada no mesmo espaço que as demais, sem que a escola se preocupe em atender suas necessidades educacionais especiais. Ao mesmo tempo em que freqüentam a classe comum, os alunos têm direito a um apoio pedagógico especializado, em outro horário. Têm direito, também, aos

recursos materiais e pedagógicos para facilitar e garantir o aprendizado do currículo escolar.

No caso de classes onde participam crianças com deficiência, é recomendável um número menor de alunos, embora o ideal seja a redução do número de alunos em todas as classes.

Contudo, muitas vezes essa medida não pode ser posta em prática, de imediato, em função do pequeno número de escolas do município.

Os pais devem participar de reuniões que discutem questões sobre a educação de seus filhos, colaborando com sugestões, para a melhoria das condições das escolas, como, por exemplo, a redução do número de alunos que pode ocorrer ano após ano.

É importante que a escola respeite cada criança, com seu jeito próprio de aprender, respeitando, dessa forma, seus interesses.

Uma escola, com um único método e objetivos únicos para todos os alunos está mais que ultrapassada.

Ao elaborar os planos de trabalho que fazem parte do Projeto Pedagógico, as escolas assumem o compromisso de oferecer educação de qualidade para todas as crianças, utilizando métodos diferentes para atender às necessidades específicas dos alunos. Adequar o processo de ensino às necessidades

dos alunos é um importante fator para o sucesso da aprendizagem. Nenhum método de ensino dá conta, por si só, da variedade de experiências e comportamentos dos alunos.

Nas classes onde os trabalhos são feitos em grupo, onde os alunos colaboram uns com os outros para a construção do conhecimento, as aulas tornam-se mais interessantes, com

mais possibilidades de garantir o sucesso da aprendizagem de todos os alunos.

COMO ORGANIZAR AS CLASSES?

No entanto, ainda hoje e apesar de todas as informações disponíveis, é grande o número de crianças que vivem trancadas em casa, sem acesso aos espaços da comunidade e, principalmente, a escola.

Todas as crianças devem ir para a escola!

Para resolver esta questão, os municípios devem elaborar um plano e realizar um levantamento do número de crianças que estão fora da escola.

Realizado o levantamento e identificados os bairros onde moram as crianças com deficiência, as Secretarias Municipais de Educação devem viabilizar a matrícula de todas elas em

escolas comuns, mais próximas da residência de cada uma.

Hoje, felizmente, toda a sociedade já se conscientizou da necessidade e importância das crianças conviverem na escola do bairro, com os apoios que se fizerem necessários.

Assim, as escolas são orientadas a matricular as crianças com deficiência nas classes comuns, onde terão acesso ao currículo desenvolvido pelo professor da série correspondente.

A equipe escolar, formada pela Direção e Coordenação Pedagógica, deve acompanhar esse processo e organizar os serviços de apoio que alguns alunos venham a precisar.

O serviço de apoio deve estar disponível na escola para atender aos alunos em período contrário ao da classe comum, para oferta de atendimento educacional especializado na área de deficiência do aluno. Deve ficar sob a responsabilidade de um professor especializado na área da deficiência do aluno. Ele trabalhará em parceria com o professor da classe comum, buscando juntos a solução para as necessidades dos alunos.

O atendimento educacional especializado pode receber denominações diferentes nos diversos municípios e estados

do Brasil. Normalmente é chamado: serviço de apoio pedagógico

especializado, sala de apoio, sala de recursos ou serviço de atendimento educacional especial
izado.

Os pais devem conhecer esses recursos e avaliar o funcionamento dos mesmos, conversando com os professores e a equipe técnica da escola, nos casos de dúvida.

Como se realiza o atendimento educacional especializado para os alunos com deficiência?

Nesse espaço, o professor especializado vai trabalhar com os alunos as questões relativas às necessidades específicas de aprendizagem, para que eles possam acompanhar e ter acesso a todas as atividades do currículo desenvolvido na classe comum.

Mas, em algumas regiões, municípios ou bairros pode não haver professor especializado para oferecer o apoio pedagógico especializado. Saibam que isso não é impedimento para

uma criança com deficiência freqüentar a escola.

Nas escolas inclusivas, os professores são os responsáveis pelo processo de aprendizagem de todos os alunos. Um bom professor será, também, um bom professor para os alunos

com necessidades educacionais especiais.

As escolhas para cada criança devem ser feitas sempre em conjunto com a família, que não deve deixar para a escola a responsabilidade de definir, sozinha, que tipo de cidadão deve ser formado.

Os pais devem estar presentes, acompanhar e participar da resolução dos problemas da escola relacionados ao desenvolvimento dos alunos e, em particular, do seu filho, ajudando-o a superar as dificuldades e aplaudindo os progressos.

Pais, façam parte da escola!

As escolas oferecem várias oportunidades para a participação dos pais, previstas no Projeto Pedagógico, como Conselho de Escola, Associação de Pais e Mestres e outras, dependendo

da região.

Procure participar ativamente da vida da escola. Nas reuniões da Associação de Pais e Mestres, acompanhe o desempenho de seu filho e dos colegas de classe. Procure ficar a par dos apoios que a escola dispõe e se há supervisão aos professores.

Lembre-se, ainda, que o recomendável é que seu filho com deficiência seja matriculado na série correspondente a sua idade. Jovens e adolescentes precisam conviver entre seus pares.

ESCOLA COM DISCIPLINA MAIS RÍGIDA OU MAIS LIBERAL?

GRATUITA OU PAGA?

Essa escolha deve ser coerente com as crenças e maneiras dos pais educarem seus filhos.

O relacionamento entre a família e a escola deve ser harmonioso, favorecendo o diálogo sobre as diferenças de valores e pontos de vista sobre a educação.

A escolha da escola deve ser adequada ao modo de vida da família. Há muitas escolas públicas e gratuitas que oferecem as condições de uma boa escola. Caso a escola do seu filho deixe a desejar em algum aspecto, saiba que você pode e deve contribuir para aprimorá-la.

A escola pública é da população que paga impostos e tem direito a um ensino de qualidade.

É recomendável conversar com outros pais e mães para decidir o que desejam para os seus filhos.

Entendemos que a criança deve freqüentar uma escola próxima de sua casa. Assim, seu filho poderá conviver com as crianças da vizinhança, com colegas da mesma rua. É importante

observar alguns aspectos da escola na hora de decidir sobre a matrícula de seu filho.

Algumas características podem indicar se ela está adequada aos objetivos da família.

A escola inclusiva, pública e gratuita é a escola que acolhe a todas as crianças, oferecendo uma educação de qualidade.

PARA SABER SE UMA ESCOLA É INCLUSIVA OBSERVE:

-Alunos brancos, negros, com deficiência, de várias idades, pobres e ricos, de toda a comunidade estudam juntos ?

-O espaço físico é adequado às necessidades dos alunos

com deficiência, isto é, esses alunos podem circular livremente

por todos os ambientes da escola?

-Existem condições para garantir melhor locomoção, previstas em leis e que as escolas devem ir instalando, ainda que seja aos poucos, até que todos os itens estejam presentes, como:

banheiros com espaço para cadeiras de rodas, portas mais largas, barras de apoio, pias e espelhos na altura de uma pessoa sentada, rampas ao lado de escadas com corrimão, sinais luminosos junto com sinais sonoros, piso com diferença de texturas, telefone para surdos e outros?

-A escola oferece recursos e equipamentos específicos para atender às necessidades educacionais das crianças cegas, surdas, com deficiências físicas e motoras?

A escola tem os equipamentos e recursos de apoio necessários?

-Kit para defici

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