Construindo uma rede de colaboração: a importância da Educação Especial na construção de uma escola inclusiva

sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Ilustração de carta simbolizando o e-mail.

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Envie por e-mail | Aumentar a fonte do texto. Diminuir a fonte do texto. | Por Equipe Inclusive
Ilustração de 10 alunos de diferentes cores e habilidades, alguns sentados, outros de pé, em sala de aula e um professor com o braço nos ombros de dois dos alunos

Ilustração de 10 alunos de diferentes cores e habilidades, alguns sentados, outros de pé, em sala de aula e um professor com o braço nos ombros de dois dos alunos

Vera Lúcia Messias Fialho Capellini

Na perspectiva da educação inclusiva, a escola é concebida como uma instituição de educação formal, que fundamentada na concepção de direitos humanos, combina igualdade e diferença como valores indissociáveis, avança na proposta de promover o desenvolvimento de todos os alunos atrelado à garantia da qualidade de ensino.

Assim sendo, para atender especificamente os alunos com deficiência deve contar com apoio da Educação Especial, que neste novo paradigma passa por redefinição conceitual e assume papel preponderante neste processo, sobretudo como articuladora de uma rede de apoio.

A Educação Especial é uma área do conhecimento e passa a ser concebida pela Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) como sendo uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem de alunos com deficiência.

Na escola, a Educação Especial, deve conhecer as características de seu trabalho, para não avançar sobre aquele da classe comum. A dialética que se estabelece entre o professor da sala comum e o professor especializado deve ser evidente para ambos. Cabe ao último a competência para prover o serviço de apoio especializado ao aluno com deficiência.

Portanto, é importante ficar atento e se, por ventura, alguns professores da classe comum insistir no círculo vicioso que historicamente existiu – professor especializado atendendo alunos com defasagem na aprendizagem, independentemente de terem ou não a deficiência, para tentar alfabetizá-los; visto que sua sala de recursos tinha um número menor de alunos, a resposta deve ser NÃO! Logicamente que um não argumentado na legislação e na fundamentação teórica sobre o trabalho do atendimento educacional especializado, enfatizando que essa prática precisa ser extinta em nossas escolas, pois o Serviço de Apoio Pedagógico Especializado não é reforço escolar!

Dentre o rol de atribuições que cabe ao professor especializado, uma delas é constituída pela função de colaborar na identificação das potencialidades dos alunos com deficiência, bem como suas necessidades educacionais especiais. Dessa forma, é importante observar e ficar atento, pois muitas vezes o aluno em vez de não ser capaz de fazer determinada atividade, pode de fato não estar tendo acessibilidade para isto, daí a relevância das tecnologias assistivas. Nem sempre não fazer, significa não saber!

Apenas a avaliação inicial do aluno com deficiência não é suficiente para acompanhar seu desenvolvimento. É de suma importância a elaboração de registros do trabalho desenvolvido, sempre tendo como marco referencial a aprendizagem do aluno.

A seleção do material didático a ser utilizado no acompanhamento e apoio ao desenvolvimento do aluno com deficiência, para atender às necessidades identificadas na avaliação pedagógica, é outra tarefa que compete ao professor da educação especial. Alguns materiais podem ser produzidos pela equipe escolar.

A construção da escola inclusiva é um projeto coletivo, que passa por uma reformulação do espaço escolar como um todo, desde espaço físico, dinâmica de sala de aula, passando pelo currículo, formas e critérios de avaliação.

Acreditamos que só com a execução de um projeto político pedagógico inclusivo é que caminharemos para a construção de uma escola inclusiva, pois acreditamos assim como Vale (1995) que projeto é capacidade humana de não aceitar a realidade como determinada e imutável, e, em contrapartida, estabelecer alvos e metas que transformem o contexto numa realidade mais adequada aos fins e desejos humanos.

Assim, o planejamento do professor da sala de recursos deve ter como parceira a equipe escolar, a partir daí se pensar em quais: as condições necessárias para o aluno acessar o conhecimento e incentivar a interação do aluno com os instrumentos e signos mais avançados; as atividades que partam do interesse dos alunos, que requeiram uma maior explicitação de temas ou conteúdos e utilização mediadora de instrumentos ou equipamentos que favoreçam a sua apreensão; os mecanismos de colaboração com os professores da própria escola ou demais profissionais que por ventura atendam o aluno; as orientações e elaboração de material didático-pedagógico ou a utilização de outros materiais a serem utilizados pelos alunos com deficiência na classe comum.

No trabalho de apoio, a participação da família é imprescindível. Cabe também ao professor especializado conhecer os recursos disponíveis no município em que atua e, mais que isso, buscar possíveis parcerias, promover visitas educativas aos espaços públicos e oportunizar a vivência de situações nas quais os alunos possam desenvolver autonomia. Porém, não basta o professor e a família. É preciso contar com o envolvimento de toda a comunidade escolar.

Por fim, uma Política de Educação Inclusiva só se efetivará se cada um fizer sua parte: sociedade, sistemas educacionais, escolas e família!

Referências

BRASIL. MEC. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, 2008.

VALE, J. M. F. do. Projeto Pedagógico como Projeto coletivo. In Circuito PROGRAD: O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? São Paulo: Pró-Reitoria de Graduação UNESP, 1995.

Vera Lúcia Messias Fialho Capellini é professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru.

Fonte: http://www.unesp.br//noticia.php?artigo=7942&direto=S

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