Percepções dos alunos sobre o ensino em salas de aula inclusivas

quarta-feira, abril 9, 2008
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Descrição do logotipo: palavra inclusive escrita à mão, em verde, entre parênteses laranja, com os pingos dos “is” laranja.

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Implicações para estudantes com dificuldade de aprendizagem

Este artigo resume 20 estudos feitos com mais do que 4600 estudantes do Jardim de Infância ao 12º. ano. 760 destes estudantes têm deficiência de aprendizagem. Os estudos cobrem um período de 22 anos. Eles avaliaram visões, opiniões e atitudes dos estudantes sobre as práticas dos professores em salas de aula inclusivas em escolas regulares. Sete áreas foram exploradas:
• Práticas de avaliação,
• Trabalho de Casa,
• Rotina de tarefas,
• Estratégias de apoio,
• Práticas de Ensino,
• Grupos, e
• Adaptações.

Em geral, estudantes com e sem deficiência têm opiniões e valores parecidos sobre as práticas do professor em cada área. Os dois grupos querem ter as mesmas atividades, livros, trabalhos de casa, e critérios de avaliação. Eles acreditam que isso é o mais justo. Ao mesmo tempo, os estudantes reconheceram que nem todos aprendem da mesma maneira ou na mesma velocidade. Os estudantes valorizam estratégias de instrução adaptadas à necessidade individual de cada estudante. Especificamente, eles reconhecem que os professores ajudam na aprendizagem individual quando:
• dão instruções mais lentamente quando necessário,
• explicam conceitos e tarefas claramente, e
• ensinam o mesmo conteúdo de maneiras diferentes, de modo que todos possam entender.

Práticas de Avaliação
A maioria dos estudantes da pesquisa disse que dar preferência ao sistema de avaliação por notas é injusto e cria padrões diferentes. Os estudantes se dividiram entre dar nota por esforço ou por acertos. Quase todos concordaram, porém, que passar de ano apenas baseado em nota de participação não é justo. Disseram que os critérios para aprovação deveriam ser os mesmos para todos. Todos os estudantes interpretam as notas como uma avaliação sobre seu trabalho. Eles vêem as notas como uma prática necessária e esperada da vida escolar. Consideram que critérios de avaliação consistentes são importantes para todos os alunos.

Trabalho de Casa
A opinião mais premente era que todos devem ter o mesmo trabalho de casa. Comportamentos do professor que tornam o trabalho de casa mais fácil:
1) passar o trabalho de casa no começo da aula;
2) explicar como a fazer o trabalho de casa e dar exemplos;
3) dar tempo de começar o trabalho de casa durante a aula;
4) dar quantidades pequenas de trabalho de casa de cada vez;
5) oferecer ajuda;
6) relacionar o trabalho de casa ao trabalho da classe;
7) verificar os trabalhos de casa e comentar a produção; e,
8) estabelecer uma rotina de trabalho de casa no começo do ano.

Rotinas de tarefas
Algumas atitudes do professor que fazem as tarefas mais fáceis para estudantes:
1) dar instruções claras e bem organizadas;
2) repetir as instruções, explicando de outra forma;
3) informar as tarefas aos estudantes com antecipação;
4) explicar como fazer a tarefa e dar exemplos;
5) ajudar, quando necessário;
6) esclarece a finalidade adequadamente, mostrar claros benefícios e dar tempo para completar a tarefa.;
7) esclarecer como vai avaliar o trabalho; e
8) comentar a produção com o aluno depois.
As duas atitudes vistas como mais produtivas são dar orientações claras e bem organizadas e deixar os estudantes escolherem suas tarefas. Os alunos disseram que as tarefas se tornam mais difíceis quando os professores usam linguagem difícil, não respondem às perguntas ou não dão orientações adequadas.

Estratégias de apoio
Perguntou-se aos estudantes quem eles preferiam que os ajudasse na aula e como eles preferiam receber esse apoio. As estratégias mais citadas foram:
1) ajuda de professores (regente principal ou de apoio);
2) ajuda de outros alunos; e
3) ajuda em pequenos grupos de trabalho que mudassem de configuração.

Práticas de Ensino
Foram analisadas práticas de aula desde as que ajudavam mais até as que mais atrapalhavam.
Em todas as séries, entre estudantes com diferentes tipos de habilidades, as práticas que mais ajudaram foram:
1) dar mais tempo para fazer o trabalho;
2) dar oportunidade aos alunos de escolherem e se expressarem criativamente;
3) explicar as lições com cuidado;
4) ajudar com matemática ou leitura;
5) permitir o relacionamento e a interação interpessoal; e
6) promover atividades ativas e práticas.

Trabalho em grupo
Os alunos preferem trabalhar em grupos ou pares mistos em termos de habilidades a trabalhar sozinhos ou com a classe inteira.
A maioria dos estudantes prefere grupos que mudam a grupos fixos. Os alunos mais jovens preferem escolher os próprios grupos e os mais velhos (ensino médio) preferem grupos escolhidos pelos professores.

Adaptações
O estudo quis saber se as adaptações, em geral, são uma boa idéia. A pergunta procurava entender as preferências dos alunos por tipos específicos de adaptações. A imensa maioria dos estudantes vê as adaptações como uma boa idéia. Eles também apontaram que as adaptações não são usadas com freqüência pelos professores. Os tipos de adaptação vistos como mais úteis são os que ajudam os estudantes a entender material de conteúdo difícil nos livros texto.

Sumário
Os resultados deste estudo são altamente relevantes para as salas de aula de hoje.
Mais alunos com necessidades educacionais especiais estão chegando às classes regulares. Como resultado disso, eles estão chegando cada vez mais longe. Os alunos ouvidos nesse estudo dizem que não acham que o uso de adaptações de instrução e acomodações para alguns alunos é injusto ou negativo. A maioria acha que essas práticas podem beneficiar todos os estudantes. As estratégias que a maior parte dos estudantes valorizam são as que podem ser consideradas melhores práticas de ensino. Essas estratégias têm relevância tanto para alunos de necessidades educacionais especiais, quanto para alunos comuns.

Para mais informação

Klingner, J.K. & Vaughn, S. (1999). Students’ perceptions of instruction in inclusion classrooms: Implications for students with learning disabilities.
Exceptional Children, 66 (1), 23-37.

http://www.fape.org/pubs/FAPE-26.pdf
Families and Advocates Partnership for Education (FAPE)
Tradução: Patricia Almeida

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