Aumentar/diminuir tamanho da fonte.

Choque de acessibilidade | Inclusive

Choque de acessibilidade

segunda-feira, fevereiro 8, 2010
Ilustração de carta simbolizando o e-mail.

Envie por e-mail





Envie por e-mail | Aumentar a fonte do texto. Diminuir a fonte do texto. | Por Andrei Bastos | Pássaro azul, símbolo do TwitterTwitter It!

Foto de Andrei Bastos

ANDREI BASTOS*

Voltei das férias em Búzios e deixei o carro na oficina para fazer um reparo que atrasaria a viagem se feito antes. Depois disso, fiz uma visita à minha mãe, em Copacabana, e, quando fui para casa, no fim da tarde, resolvi ver se também tinham promovido um “choque de acessibilidade” testando os novos ônibus adaptados em circulação. Triste decisão.

Cheguei ao ponto na Rua Figueiredo Magalhães, em frente ao hospital Copa D’Or, e dei início aos incontáveis senta, levanta e estica o pescoço para ver se vinha um ônibus 434 adaptado. Muitos podem pensar que eu, como muletante, não preciso da adaptação. Grande erro. Muito longe de ter sido atleta algum dia, tenho 58 anos e tive que desarticular minha perna esquerda aos 52, já com tudo o que uma boa vida sedentária e regada a cerveja pode proporcionar ao corpo.

Além disso, pensar que a adaptação é apenas para os cadeirantes é erro maior ainda. Adaptados ou acessíveis, que é o correto, os mecanismos de acessibilidade devem atender a todos que tenham mobilidade reduzida e corram perigo com os degraus altos. O problema de quem usa cadeira de rodas é mais evidente, mas obesos, mulheres grávidas, cegos, amputados etc. têm a mesma necessidade de entrar no ônibus com a autonomia e a segurança que os degraus não oferecem.

Depois de perder a conta dos “434” sem adaptação que passaram em 68 minutos de espera estressante, dei sinal para o primeiro ônibus adaptado que apareceu e me deixaria perto de casa, embora esse “perto” correspondesse a duas quadras a mais que o outro.

Muitas outras pessoas também sinalizaram e, quando o ônibus parou, se encaminharam para a porta dos degraus altos, na frente. Fiz um sinal para o motorista indicando a porta traseira, com elevador, e ela se abriu quando cheguei diante dela. Certo de que meu gesto tinha sido entendido, fiquei aguardando que o mecanismo funcionasse, mas nada. De repente, as duas bandas da porta começaram a se fechar e o veículo a andar. Segurei firme nos corrimãos, com as muletas presas aos braços, e impedi o fechamento da porta com o corpo.

Eu e outros passageiros começamos a gritar e o ônibus parou. O motorista desceu, se aproximou e me disse, vejam só, que o elevador era exclusivo de cadeirantes e que eu deveria subir pela frente. Minha resposta calma foi perguntar se, em caso de acidente, quem deveria ser processado: ele, a companhia, o prefeito ou todas as opções? Desconcertado e com a ajuda da trocadora, que acabara de chegar, o homem resolveu acionar o elevador, sob aplausos de todos.

Foi então que descobrimos que nenhum dos dois sabia operar a geringonça, mas, já agora contando com a paciência geral, apertaram uns botões e fizeram a máquina funcionar. Ufa! Em seguida, já instalado em meu assento na área reservada a pessoas com deficiência, eles me indicaram o botão que eu deveria pressionar e que acenderia uma luz azul diante do motorista, diferente da outra, vermelha, quando chegasse ao meu destino.

No momento certo pressionei o botão da luz azul, mas o ônibus não parou no meu ponto e precisei gritar novamente, junto com passageiros próximos. Outra vez os gritos pararam o veículo, só que duas quadras além das duas que já excediam anteriormente. Caraca!

Prefeito, estou chocado com essa acessibilidade no transporte coletivo! Se o senhor acha que exagero, por favor, me acompanhe em apenas uma viagem de ônibus.

*ANDREI BASTOS é jornalista e integra a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.

Enviar comentário

Espaço Aberto

Ilustração representando uma porta aberta.
Artigos, conjecturas, análises e opiniões. Só que, aqui, dos nossos colaboradores. Envie também sua colaboração para o nosso e-mail.
_
Cenas da tecnobarbárie
Ecos do matrimônio igualitário
A Pastoral Carcerária mostra a verdade
Por elas que reclamo: minhas crianças!

Mídia e Deficiência

Ilustração representando uma TV fora de sintonia.
A deficiência na mídia e através dela. Acompanhe aqui as impressões e opiniões de Patricia Almeida.
_
Filme ‘Colegas’ mostra a alegria de viver dos portadores de Síndrome de Down
Oi, inclusão!
APOIO/PARCEIROS
Instituto Meta Social - abre em nova janela.
APS Down - abre em nova janela.
Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down - abre em nova janela.
Planeta Edducação - abre em nova janela.
Via Política - livre informação e cultura  - abre em nova janela.
Instituto MID - abre em nova janela.
Vez da Voz  - abre em nova janela.
Síndrome de Down no Yahoo Groups - abre em nova janela.
Observatório da Educação - abre em nova janela.
Instituto Futuro Educação - abre em nova janela.
Bengala Legal - abre em nova janela.
Centro de Vida Independente Araci Nallin - abre em nova janela.
Amankay - Instituo de Estudos e Pesquisas - abre em nova janela.
Fórum Permanente de Educação Inclusiva - abre em nova janela.
Afropress - agência de notícias - abre em nova janela.
InfoAtivo DefNnet - abre em nova janela.
Envolverde - abre em nova janela.
Viração - abre em nova janela.